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Rota de Tires


 
A primeira referência conhecida acerca de Tires remonta ao censo de 1527, quando se regista a presença de 10 vizinhos, isto é, cerca de 30 pessoas, em «Tyras».
As principais atividades da população eram a extração e processamento da pedra, em função da variedade da matéria-prima então existente, bem como a agricultura, com destaque para a produção de cereais.
Esta atividade parece, mesmo, ter estado na origem do topónimo, pois, de acordo com J. Diogo Correia, «tratando-se de uma pequena região, é natural que cada um dos moradores do lugar se esforçasse por adquirir uma leira, uma courela – uma tira – donde pudesse desentranhar o grão bendito que depois havia de transformar-se na base da sua alimentação. Das tiras em que foi dividido proveio, se não estou em erro, o nome da localidade».
O cultivo das terras e o trabalho da pedra pelos canteiros, que fomentou um espírito de comunhão, também materializado no movimento associativo, viria depois a ceder protagonismo à construção civil, que paulatinamente se apossou deste território.
 
1. Capela de Nossa Senhora da Graça
A edificação desta capela, de traça simples e linha barroca, deve remontar ao século XVIII.
Na fachada apresenta apenas uma porta de ombreiras retas com decoração vegetalista na base e uma verga com motivos geométricos rematada por uma cornija saliente, onde assenta uma janela emoldurada com volutas.
Adossada à fachada principal encontra-se uma torre sineira também decorada com volutas.
No interior, a nave central é separada da capela-mor por um arco de volta perfeita, existindo, ainda, um púlpito caiado e um coro em madeira. O altar é em mármore rosa, de fabrico recente, encimado por três nichos, outrora com as imagens de S. José, do Sagrado Coração de Jesus e, ao centro, de Nossa Senhora.
Hoje em dia é usada como capela mortuária, sendo o culto religioso celebrado num outro templo, de linhas modernas, com a mesma evocação, datado de finais do século XX, que se encontra a curta distância.
 
2. Casas do Pátio do Lobet
Numa destas casas de arquitetura popular, com dois pisos e telhados de quatro águas, dotadas de escadas exteriores e de lojas, no piso térreo, para albergar animais e alfaias agrícolas, residiu a família de um dos mais conceituados canteiros de Tires: Emílio Lobet, mais conhecido por “Lobita”.
Neste local os operários de Tires reuniram-se muitas vezes, dando início a um movimento associativo, que se materializou, em 1912, na Associação de Classe dos Operários de Construção Civil, destinada à defesa mútua dos interesses da classe, que muitas vezes os levaram a confrontar diretamente os patrões.
Como anota José Sabido, «Por estas ousadias, o lugar de Tires era olhado com desconfiança pelas autoridades da época e a terra nunca esteve nas suas prioridades de investimento».
 
3. Casas de piso térreo geminadas
A arquitetura popular carateriza-se pela sobriedade, mercê dos parcos recursos económicos dos seus proprietários.
A casa popular ou, neste caso, saloia, eminentemente funcional, reflete quase sempre a vida da família que nela habitava, pelo que a sua dimensão e distribuição de espaços se relacionam diretamente com a atividade exercida.
Estas duas construções de piso térreo, que denotam a influência de uma cultura mais urbana, constituem uma das tipologias da arquitetura saloia, expressa nas fachadas principais, dotadas de porta central com aplicação de um pequeno friso de azulejos,ladeada por duas janelas emolduradas com vãos em cantaria.
O telhado de duas águas, com telha de canudo, assenta em beirado simples e é encimado por uma figura de barro representando uma pomba, símbolo do Espírito do Espírito Santo.
No nº 61 residiu a família de Manuel dos Mártires, pedreiro e sócio do Grupo Musical e Dramático 1.º de Maio de Solidariedade Operária de Tires, de que foi fundador.
Já no n.º 61A habitava a família de Joaquim dos Santos, canteiro que habitualmente trazia o correio de Caparide, para o distribuir pelos habitantes da terra.
 
4. Casal rural
Nesta rua, que homenageia o canteiro Artur Moreira Sabido (1890-1954), existem outros interessantes exemplares da arquitetura popular que merecem ser apreciados.
Entre estes, destacam-se as casas térreas, que seriam parte integrante de um pequeno casal saloio, com portal, junto às margens da Ribeira do Goulão, onde residiu a família do pedreiro António “Padeirinho”.
A construção foi alvo de diversas ampliações, nomeadamente em 1930, quando se edificou um corpo dotado de janela em óculo, elemento estranho a este tipo de arquitetura.
A placa identificando a Vivenda Jorge, propriedade dos Caniços, foi colocada em honra do seu neto, o herdeiro da família.
Destaque-se, ainda, no logradouro murado, com várias árvores de fruto, o antigo poço.
 
5. Quinta R. M. (antiga Fábrica de Chitas)
No local onde hoje existe a Quinta dos Caniços, que se distingue pelos grandes portões verdes com as iniciais R. M. (Raul Moreira), funcionou entre 1788 e 1878 uma fábrica de estamparia de chitas e de lenços.
A parte sul do edifício principal foi adaptada para a instalação de uma oficina de fabrico de sapatos de trança, de fita de algodão e sola de corda ou de cabedal que mesmo após o seu encerramento continuariam a ser produzidos pelas mulheres de Tires,
para os venderem em Lisboa.
Da antiga quinta conservam-se o edifício setecentista, algumas das suas dependências agrícolas, o poço e um antigo forno.
A nascente encontra-se a casa onde funcionou, desde 1883, o estabelecimento comercial da Família Moreira, que compraria a quinta. O imóvel foi mais tarde adaptado a casa de habitação e renomeado enquanto Vivenda Caniço, aqui funcionando também uma escola primária e
atualmente um Centro de Educação Infantil.
 
6. Igreja de Nossa Senhora da Graça
Em função do crescimento da localidade, a partir da década de 1970 a população de Tires pugnaria, com o apoio do Padre Agostinho Pereira da Silva, pela criação de uma nova paróquia, autónoma de S. Domingos de Rana.
Neste âmbito assistiu-se à construção de uma nova igreja, de linhas modernas e maior dimensão, que seria concluída em 1982, a que se sucedeu a bênção do altar, por D. António dos Reis Rodrigues, Bispo Auxiliar de Lisboa e a abertura ao culto religioso.
A nova Paróquia de Nossa Senhora da Graça de Tires seria oficialmente proclamada a 8 de dezembro de 1986, por D. António Ribeiro, Cardeal-Patriarca de Lisboa.
 
7. Laje de Tires
Segundo a Carta Geológica da Área Metropolitana de Lisboa, o substrato rochoso do centro de Tires é composto por calcários pardos originais de climas secos, que pertencem à Formação de Caneças, do Cretácico (145 M.a. / 65 M.a.).
Os cursos de água em torno do centro de Tires, bem representados na cartografia antiga, devem ter sido os responsáveis pela exposição desta laje, pouco fraturada.
Com forte pluviosidade, o seu transvase pode ter regularmente “lavado” a pedra, mantendo-a exposta por períodos mais ou menos longos. Esta rocha plana, que os relatos históricos dizem ter 365 metros de comprimento por 140 de largura, é considerada uma das maiores da Europa.
 
8. Grupo Recreativo e Dramático 1º de Maio de Tires
O Grupo Musical e Dramático 1.º de Maio de Solidariedade Operária de Tires foi fundado a 1 de maio de 1919, com o objetivo de promover atividades recreativas e culturais, colaborando, ainda, na criação, em 1925, de uma Caixa de Auxílio na Doença dos Operários da Construção Civil de Tires e Arredores, de caráter mutualista, administrada apenas por operários, entre os quais se destacaria Artur Moreira Sabido.
A sede da associação, que em 1964 alteraria a sua designação para Grupo Recreativo e Dramático 1.º de Maio de Tires, foi oficialmente inaugurada em 1951, dez anos após o início das obras.
Tinha por principal atividade a música, que se manteve até à década de 1960 e o teatro amador, até 1983, promovendo ainda, provas de ciclismo e os festejos dos santos populares, sempre com grande adesão por parte da população.
Atualmente dispõe de um grupo de danças de salão, de um grupo etnográfico e de um grupo coral para adultos.
A estrutura do edifício é muito diferente da original, em resultado de uma campanha de obras levadas a cabo em 1978, que dotou o salão principal de maior dignidade, por meio da introdução de um novo palco, de um balcão e de um teto em estuque, inspirados nos trabalhos de conservação então efetuados no salão principal do Teatro D. Maria II.
Na sociedade funcionou também, ao jeito de cineteatro, um cinema cuja antiquíssima máquina de projeção ainda pode ser admirada.
 
9. Chafariz
Este chafariz, recuperado em 2016, foi o único ponto de abastecimento de água até 1952, data em que a rede pública de água foi instalada em Tires.
Funcionou, assim, ao longo de décadas como ponto de encontro da localidade, como o recorda Irondina Ferrão, ao apontar que «Vínhamos buscar água com as bilhas de barro, que por vezes se partiam. Chegávamos a casa sem água e voltávamos para namorar».
estrutura também servia para dar de beber ao gado.
 
10. Monumento de Homenagem ao Canteiro
Inaugurado a 1 de maio de 2000, este monumento, da autoria do escultor Luís Cruz, é constituído por cinco peças que representam as ferramentas e matérias-primas trabalhadas pelos canteiros: uma maceta, em pedra lioz; dois ponteiros, em aço corten e três tipos de pedra.
No bloco de pedra lioz foram esculpidas uma espiga de milho e uma espiga de trigo, em memória da secular conjugação da profissão de canteiro com a de agricultor.
O monumento evoca a importância da plurissecular indústria de extração da pedra no concelho e em particular na freguesia de S. Domingos de Rana, atestando a continuidade da atividade dos canteiros ao longo dos séculos e erigindo-os como uma das principais forças de trabalho do concelho, que foram também homenageados na toponímia, com a Rua dos Canteiros ou a Praceta dos Canteiros, no centro de Tires.
A figura do canteiro, que José Sabido descreve como a «pessoa que trabalha a pedra em todas as suas vertentes», tenderia a desaparecer, mercê da mecanização, do paulatino esgotamento das pedreiras e, por fim, em função do surto urbanístico.
Longe está, assim, o tempo em que, como recorda, «a execução das cantarias era feita manualmente com a ajuda da maceta, escopros de dentes ou lisos, ponteiros, picões, escodas de dentes ou lisas, bojardões e bojardas»…
O trabalho do canteiro é multifacetado, executando simples lancis para estradas ou peças de nível artístico surpreendente.
São muitos os testemunhos da sua atividade por todo o concelho, nomeadamente em igrejas, casas, fontes, cruzeiros, estátuas ou jazigos. As pedreiras das Coveiras – expostas em ambos os lados do caminho que ligava Tires a S. Domingos de Rana – constituíam um dos principais bancos de pedra, entre as quais se destacavam, em tons amarelados, o chamado “pão de milho” e em tons mais escuros, o “vergalhão”.
Aos canteiros mais habilitados eram confiados os trabalhos mais delicados, tais como peitoris, soleiras, colunas, bases, fustes e capitéis, balaustres e cimalhas. Os restantes, incluindo os aprendizes, tratavam dos socos, ombreiras, vergas e pias de despejo.
Muitos dos canteiros de Tires trabalhavam em oficinas da capital e em pedreiras de Sesimbra.
Era, assim, habitual seguirem a pé de Tires até Oeiras, onde apanhavam o comboio das 7h10, que passou a ser conhecido por “comboio dos canteiros”!
 
11. Nora e poço
No logradouro de uma casa de construção recente existe um poço com nora destinado à extração de água para a rega.
Tendo por base uma roda com alcatruzes – os baldes que transportam a água – era acionada por mulas, burros, machos ou vacas de trabalho, que se deslocavam de olhos vendados em movimento circular à volta do engenho. Os alcatruzes desciam vazios, eram enchidos no fundo do poço, regressavam e quando atingiam a posição mais elevada começavam a verter a água numa calha que a conduzia ao seu destino.
São ainda visíveis vários caneiros em cantaria que integravam o sistema de rega de um provável antigo casal rural.
 
12. Vivenda M. J. D.
Esta casa de dois pisos, onde outrora residiu a família do canteiro Manuel dos «Cigudes» e atualmente se encontra instalado o Partido Socialista – S. Domingos de Rana, é provavelmente de finais do século XIX.
A fachada principal possui alguns elementos arquitetónicos interessantes, que a distinguem dos demais edifícios, como é o caso dos vãos diferenciados, em forma de arco quebrado, no primeiro andar, e retangulares, no rés-do-chão.
Apresenta um logradouro murado com acesso direto ao imóvel.
 
13. Casa de piso térreo
Casa de habitação térrea, provavelmente de finais do século XIX, característica da simplicidade saloia.
Apresenta telhado de duas águas, beirado simples e um pequeno logradouro murado.
O acesso ao logradouro faz-se por um portão cujas cantarias são encimadas por dois elementos decorativos.
Aqui residiu a família do carpinteiro Aires Malagaio.
 
14. Adega dos Duartes
A família Duarte dedicava-se ao comércio de mercearias, carvão e lenhas, mas sobretudo de vinhos.
Os Duartes – os irmãos irmãos Francisco e Duarte – não eram agricultores, deslocando-se, antes, até às redondezas da Ericeira e Mafra, onde negociavam com os produtores para depois transportarem o vinho até Tires na sua galera, puxada por uma parelha de machos, para ser armazenado nos depósitos da adega e posteriormente fornecido aos clientes, como o recorda José Sabido.
Embora em mau estado de conservação, este edifício, de c. de 1940, marca ainda uma das entradas de Tires. Note-se que até à década de 1940, Tires, construída ao sabor dos tempos, não dispunha de toponímia oficial.
Os locais eram, assim, referenciados em função das suas características, funções ou nomes dos habitantes, como sucederia com os Largos da Fonte, da Escola, da Igreja ou dos Duartes, a Estrada da Coveira ou os Pátios do Francisco da Loja ou da Emília das Pernas Gordas…
 
15. Casa de dois pisos
Esta casa saloia de dois pisos, onde residiu a família do canteiro José Damásio, o “Lagarto”, apresenta uma cobertura de telhado de quatro águas e beirado simples, características deste tipo de arquitetura.
Dispõe de um logradouro murado por onde se faz o acesso ao interior da habitação.
 
16. Casal rural
Típico casal rural, onde residiu a família do canteiro “Jaus”, como nos informa José Sabido.
Dispunha de casa de dois pisos, virada para um logradouro, onde ainda são visíveis o portal, os muros de pedra seca e as ruínas das antigas arribanas.
Na fachada virada para a Rua do Realista destaca-se uma chaminé de grandes dimensões.
As casas de dois pisos corridos possuíam uma área de habitação no piso superior e as dependências agrícolas no piso inferior, sendo habitual existir comunicação direta entre os diversos compartimentos.
 
17. Casa de dois pisos
Exemplar de arquitetura saloia, com anexo e logradouro.
Apresenta as molduras dos vãos em cantaria e uma caiação a branco. De salientar o uso de cor, feita à base de ocres, nos socos e nas barras dos cunhais e da cornija, características representativas desta tipologia de arquitetura.
Na fachada principal, virado para o logradouro, existe um pequeno óculo, que servia para iluminar o sótão.
Nesta casa habitou a família do agricultor José Martinho, o “José Realista”, que deu o nome à rua.
 
18. Casa de dois pisos
Casa de dois pisos com cobertura de duas águas e telha de canudo.
Este imóvel é outro exemplar característico da simplicidade saloia.
Nesta tipologia de habitação popular situar-se-iam, no piso térreo, os armazéns e adega e, no piso superior, a habitação. 
O acesso ao primeiro piso efetuava-se através de escada interna.
Aqui residiu a família do lavrador Quintino da Silva.
 
19. Chafariz
De forma trapezoidal, este chafariz, datado de 1953, é coroado com o brasão de armas de Cascais, em relevo, ladeado por duas volutas abertas.
A peça de espaldar é composta por silhares regulares e simétricos em relação ao eixo vertical, sendo a sua base alargada com contornos encurvados e também simétricos, onde nasce um pequeno tanque de planta quadrangular, assente num recinto lajeado.
Todo o conjunto foi executado com pedra bem aparelhada.
 
20. Grupo Coral Estrelas do Guadiana (Cante Alentejano)
O Cante Alentejano é uma prática expressiva de canto coral que tem a sua origem no Baixo Alentejo.
Os seus textos poético-musicais designados por «modas» são interpretados por grupos organizados de homens, mulheres e crianças.
O Cante Alentejano em Cascais resulta da fixação de população oriunda da região sul do país na Área Metropolitana de Lisboa, nomeadamente em Tires, e da consequente formação, em 1975, do Grupo Coral Estrelas do Guadiana.
No início, o grupo era constituído por um número reduzido de participantes, mas atualmente conta com cerca de 28 homens e mulheres, com predominância de elementos oriundos do Baixo Alentejo.
Até 2017 esteve sediado no Café Cantinho Alentejano, tendo trasitado recentemente para instalações no antigo Mercado de Tires, sito na Av. Padre Agostinho Pereira da Silva.
O cante está, desde 2014, inscrito na lista da UNESCO como Património Cultural Imaterial da Humanidade.
Note-se que a Convenção para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial (Unesco, 2003) definiu Património Cultural Imaterial como «as práticas, representações, expressões, conhecimentos e aptidões […] que as comunidades, os grupos e os indivíduos reconheçam como fazendo parte integrante do seu património cultural».
Estas manifestações, transmitidas entre gerações, deverão ser recriadas pelas comunidades e grupos «em função do seu meio, da sua interação com a natureza e da sua história, incutindo-lhes um sentimento de identidade e de continuidade, contribuindo, desse modo, para a promoção do respeito pela diversidade cultural e pela criatividade humana».
 
21. Casa torreada
casa torreada é a tipologia mais antiga da arquitetura vernacular, tendo a “torre” uma planta quadrada, só com porta de entrada no piso térreo e janelas no piso superior, com vãos em cantaria e telhado de quatro águas.
Deveria possuir um corpo anexo, que serviria de cozinha, com um forno que se salientava na empena cega.
Aqui residiu a família do canteiro Eduardo da Sofia.
 
22. Casa de dois pisos
Esta casa de dois pisos, datada de 1754, conforme o atesta a inscrição presente na sua fachada principal, parece ser uma das mais antigas de Tires.
Apresenta alguns elementos decorativos que, de certo modo, a diferenciam das restantes, como a moldura que envolve a data de construção, os pequenos desenhos geométricos incisivos ou relevados no reboco e a presença de molduras nos vãos em cantaria.
Aqui habitou a família de Manuel Vieira da Rosa, o “Manel Maltês”, que veio para Tires como ceifeiro e esteve emigrado por uma década nos Estados Unidos da América.
Era conhecido como “homem dos sete ofícios” e os serviços que prestou à comunidade estiveram na origem da atribuição do seu nome à rua onde se encontra esta casa.
 
23. Aeródromo Municipal de Cascais
Construído nos terrenos do antigo Casal de Tires, foi inaugurado a 11 de outubro de 1964, com projeto da autoria do arquiteto Mário de Meneses, implantando-se sobre uma bancada de rocha de onde foram extraídos blocos de pedra com dimensões superiores a 1 m3.
Ao longo dos anos foi alvo de diversas obras de beneficiação e de ampliação, pelo que a sua pista, inicialmente com 600 metros, tem hoje 1.700 metros, o que permite a utilização por aviões de maior porte e a receção de até 300 passageiros por hora.
Esta infraestrutura aeroportuária, considerada estratégica para o desenvolvimento turístico do concelho, está preparada para receber tráfego internacional, dispondo de sinalização luminosa, luzes de aproximação e sistema Apapis.
 
24. Estabelecimento Prisional de Tires
Foi criado em 1953, com a designação de Cadeia Central das Mulheres e entregue à Congregação de Nossa Senhora da Caridade do Bom Pastor, por acordo celebrado com o Ministério da Justiça.
Estendendo-se por uma área de 34 hectares, dividia-se em três pavilhões, com enfermaria, creche, cozinha, refeitório e lavandaria, que podiam albergar até 450 reclusas.
A comunidade religiosa vivia numa dependência à parte.
Em 1969 registava-se que «Entre as várias obrigações oficinais e artesanal das reclusas salienta-se a indústria aperfeiçoadíssima dos tapetes de Arraiolos. Há ainda oficinas de sapataria, malhas, costura e bordados, onde, em algumas dela, se confecionam obras para vários estabelecimentos de Estado. O trabalho é remunerado. Há ainda cursos de instrução primária e de culinária. Outras reclusas ocupam-se também de serviços pecuários e outras de cultura hortícola, havendo ainda uma creche para seus filhos menores de 3 anos, com todos os cuidados exigidos pela puericultura moderna».
O projeto deste estabelecimento prisional, que a partir de 1980 deixou de estar sob a tutela religiosa, obedece à estética arquitetónica do Estado Novo.
 
25. Biblioteca Municipal de S. Domingos de Rana
Inaugurada em 2005, constitui um verdadeiro centro cultural no interior do concelho.
O edifício, virado para o interior, é da autoria do arquiteto João Lucas Dias e procura respeitar a volumetria da malha urbana preexistente, com a qual se articula.
Organizado em torno de vários pátios, desenvolve-se num piso térreo implantado em quatro níveis, que se adaptam à topografia do terreno.
O espaço exterior da Biblioteca evoca a antiga paisagem e atividades económicas da região.
Num primeiro pátio, designado por Ciclo dos Cereais, recorda-se a cerealicultura.
Numa outra área, designada por Labirinto, um banco espiralado de pedra maciça e madeira constitui uma alegoria à mitologia europeia e à evolução do conhecimento humano.
Um terceiro pátio, onde se plantou uma oliveira, representa o Ciclo do Azeite, que juntamente com o vinho e os cereais constituem a trilogia dos produtos do Portugal mediterrânico. Neste espaço existe também um anfiteatro e um jardim dividido em duas grandes áreas distintas: o Pomar, símbolo da riqueza e da arte agrária; e o Bosque, espelho da diversidade biológica da flora nacional.
 
26. Cemitério de S. Domingos de Rana
O trabalho dos canteiros de Cascais tem forte representação nos jazigos do Cemitério de S. Domingos de Rana.
A sua qualidade artística é, assim, atestada pela perfeição dos trabalhos em relevo nos frontões, onde se representam as principais ocupações exercidas pelos habitantes da freguesia, que se destacaram como canteiros, lavradores, agricultores, ferreiros, serralheiros, marceneiros, forneiros, moleiros, padeiros, sapateiros, merceeiros, alfaiates, tecelões ou barbeiros.

 


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