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Rota do Teatro e Cinema em Cascais


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A instalação sazonal da Família Real em Cascais, a partir de 1867, cedo transformou a vila na capital do lazer em Portugal. Neste contexto, em 1869 nasceria o primeiro teatro, o Gil Vicente, que se impôs como um dos mais emblemáticos espaços de sociabilização do concelho.
Foi também em Cascais que se rodou, no ano de 1896, o primeiro filme em Portugal, mais precisamente na Boca do Inferno, que há muito impressionava os viajantes.
Desde então Cascais afirmou-se como um dos locais mais importantes para a história do Teatro e do Cinema em Portugal, onde trabalhariam os melhores encenadores, realizadores e atores nacionais e internacionais.
 
1. Boca do Inferno
Avenida Humberto II de Itália
O primeiro filme realizado em Portugal, no ano de 1896, teve Cascais por cenário.
Trata-se de A Boca do Inferno/A Sea Cave Near Lisbon e contou com manivelação de Henry William Short e Harry Short, vindo a integrar a série Tour in Spain and PortugalAquando da estreia, a 29 de setembro, no Real Coliseu de Lisboa, o Diário de Notícias destacaria o «esplêndido quadro, representando o interior da soberba e bem conhecida gruta, admirada por todos que visitam Cascais», realçando que «Quem não tem podido descer ao fundo da gruta, pela dificuldade do acesso, para admirar o majestoso efeito das ondas entrando naquele recinto, tem agora ocasião de ver neste quadro aquele surpreendente espetáculo, em tamanho natural e em toda a sua verdade e beleza».
 
2. Museu-Biblioteca Condes de Castro Guimarães
Avenida Rei Humberto II de Itália
Este palacete, que Jorge O’Neill mandou construir no início do século XX, constitui um exemplo de ecletismo, unificador de várias linguagens arquitetónicas, que lhe conferem um enorme sentido de monumentalidade.
Com desenho executado em 1897 pelo cenógrafo Luigi Manini, viria a ser efetivamente projetado, cerca de 1900, pelo pintor Francisco Vilaça, imprimindo-lhe um carácter cenográfico que se enquadra na paisagem e concentra nas fachadas-cenário todo o esforço decorativo.
A propriedade viria, depois, a ser adquirida pelo Conde de Castro Guimarães, que, por testamento, a doou ao Município de Cascais para a instalação de um Museu-Biblioteca, inaugurado em 1932.
Foi neste magnífico cenário que, em 1954, se gravaram várias cenas da comédia social O Costa d’África, filme dirigido por João Mendes, com Vasco Santana, Laura Alves e Francisco Ribeiro.
Em 1996 serão aqui também rodadas algumas cenas do filme Afirma Pereirabaseado na obra Sostiene Pereira, de António Tabucchi e realizado por Roberto Faenza. Tem como ator principal Marcello Mastroianni, numa das suas últimas aparições cinematográficas. Entre o elenco de luxo contam-se nomes como Joaquim de Almeida, Mário Viegas, Nicolau Breyner, Nicoletta Braschi, Daniel Auteuil e Filipe Ferrer.
 
3. Casa com Memória - Carmen Dolores
Avenida Emídio Navarro, n.º 98 A
Carmen Dolores iniciou a sua carreira artística na rádio, mas foi no cinema que se afirmou enquanto atriz de talento.
Tendo-se estreado no filme Amor de Perdição, veio a somar, ao longo da sua carreira, inúmeros êxitos, quer nas telas, quer nos palcos.
Os trabalhos que abraçou deixam transparecer o gosto pela diversificação de experiências, característica que a levou a aceitar projetos de vários coletivos teatrais, entre os quais se conta o TEC.
O concelho de Cascais seria um dos locais mais marcantes da sua vida profissional. Aqui participou, ainda muito jovem, nos teatros radiofónicos do Rádio Clube Português, na Parede, vindo também a integrar o elenco dos espetáculos Virgínia, de Edna O’Brien, em 1985 e Espetros, de Henrik Ibsee, em 1992, levados à cena pelo TEC. Tendo residido no centro da vila, numa casa onde ainda hoje se evoca a sua presença, receberia a medalha de mérito cultural do Município, em 2004.
 
4. Casa com Memória - Amélia Rey Colaço e Eunice Muñoz
Rua do Gama, n.º 5
Grandes referências do teatro português, estas duas atrizes residiram uma larga temporada no mesmo edifício, em Cascais, no ano de 1967, enquanto ensaiaram e levaram à cena a peça Fedra, a convite do Teatro Experimental de Cascais.
Amélia Rey Colaço passava, desde a infância, largas temporadas na Casa Monsalvat, residência de veraneio da família no Monte do Estoril e era presença assídua na plateia do TEC.
Já Eunice Muñoz foi sobretudo no palco que estreitou a colaboração com o Grupo de Teatro de Cascais, participando em 1972 n’ As Criadasde Jean Genet, para acompanhar, logo em seguida, o TEC numa longa tournée por África.
Em 2011, já com 83 anos, apresentou no Teatro Mirita Casimiro O Comboio da Madrugada, de Tennessee Williams, com encenação de Carlos Avilez.
 
5. Teatro Gil Vicente
Largo Manuel Rodrigues Lima, n.º 7
Inaugurada a 19 de setembro de 1869, a expensas de Manuel Rodrigues Lima, esta sala de espetáculos, que foi, desde cedo, palco dos mais importantes eventos culturais da vila, veio, depois, a ser administrada pela Associação Humanitária e Recreativa Cascaense, atual Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Cascais.
Seguindo as linhas clássicas do palco à italiana, o edifício é um corpo retangular com fachada principal na face mais curta, marcada por três portas emolduradas por cantaria, segundo um modelo oitocentista. Durante décadas esta sala de espetáculos desempenhou um papel essencial no quotidiano das elites instaladas em Cascais, por meio da promoção de concertos e peças de teatro a cargo de artistas vindos expressamente de Lisboa e até de récitas de amadores.
Constituía, assim, um dos palcos da convivialidade da alta sociedade “a banhos” em Cascais, que beneficiou, muitas vezes, da presença da Família Real.
 
6. Baluarte Terrasse [Demolido]
Avenida D. Carlos I (no local onde hoje se encontra a Casa dos Condes de Monte Real)
Em 1911, num requerimento enviado à Câmara Municipal por António Vilar, João de Freitas e José de Carvalho, encontramos notícias acerca da montagem na Esplanada 31 de Janeiro, em Cascais, «a exemplo dos anos anteriores, [de] um animatógrafo, diversão que muito tem sido apreciada pela colónia balnear».
Nesse mesmo ano, num período marcado pela promoção do cinema à escala nacional, a vila seria dotada de um novo estabelecimento: o Baluarte Terrasse, instalado junto à curva da Avenida D. Carlos I, sobre os escombros do Palácio dos Marqueses de Cascais, que o terramoto de 1755 derrubara. Para além dos «mais belos e maravilhosos filmes », exibidos em sessões diárias às 21h00 e 22h30, em matinées aos domingos e em «espetáculos da elite», disponibilizava também «magníficos Terrasses, onde franca e comodamente [se] poderão desfrutar os mais vastos e deslumbrantes horizontes de terra e mar».
No local onde funcionava este «cinematógrafo» veio a edificar-se, em 1920, a Casa dos Condes de Monte Real, com projeto do arquiteto Guilherme Gomes.
 
7. Cineteatro S. José
Alameda dos Combatentes da Grande Guerra, n.º 247
Mandado construir por José Afonso Vilar Júnior e projetado em 1958 por Joaquim Ferreira, este edifício foi integrado no Plano de Urbanização da Costa do Sol.
Constituído por plateia e primeiro e segundo balcão, dispunha de lotação para 998 espetadores, que aqui puderam assistir aos grandes sucessos cinematográficos das duas décadas seguintes.
De expressão marcadamente horizontal, com galeria térrea aberta e fachadas sem elementos decorativos, este Cineteatro afirmou-se na malha urbana como um volume isolado, solto, no ambiente arborizado do Jardim Visconde da Luz. Já na década de 1980 foi adaptado para outros fins, com projeto do arquiteto Gil Graça, tendo perdido as caraterísticas arquitetónicas que o caraterizavam, sobretudo por via da introdução do enorme envidraçado que passou a revestir integralmente a sua fachada principal.
 
8. Casa com Memória - Mirita Casimiro
Restaurante A Económica
Rua Sebastião José de Carvalho e Melo, n.º 35
Maria Zulmira Casimiro de Almeida, popularmente conhecida como Mirita Casimiro, estreou-se em 1933 no teatro de revista, onde obteve grandes êxitos, vindo a protagonizar, em 1937, o filme Maria Papoilade Leitão de Barros, cuja ação se desenrola, em grande parte, no Estoril.
Criou com Vasco Santana, com quem viria a casar, uma dupla de grande sucesso, interrompida por um tumultuoso divórcio que a levaria a emigrar para o Brasil. 
Em 1966, dois anos depois de ter regressado a Portugal, integraria o jovem elenco do Teatro Experimental de Cascais, onde se destacaria como figura de cartaz de peças como A Casa de Bernarda de Alba, A Maluquinha de Arroios O Comissário de Polícia.
Nesta nova fase da sua vida passou a viver em Cascais e tornou-se frequentadora assídua d’A Económica, onde ainda hoje se evoca a sua presença.
Em consequência de um grave acidente de viação viu-se incapacitada para voltar ao palco, o que lhe causou um desgosto de que nunca se recuperou.
Viria a morrer na sua casa de Cascais, em 1970, com 55 anos.
Em sua homenagem, o TEC atribuiu, em 1986, o nome de Mirita Casimiro ao Teatro onde está sediada a companhia.
 
9. Espaço Memória TEC
Avenida Marechal Carmona, n.º 104
Inaugurado em 2004, o Espaço Memória do Teatro Experimental de Cascais preserva o espólio dos cinquenta anos de atividade da Companhia, que traduz a originalidade, o arrojo, a inovação e a relevância do trabalho deste grupo para a renovação das linguagens do teatro em Portugal.
Aqui se evocam os grandes atores e atrizes que, ao longo de décadas, deram corpo e voz a este projeto singular, assim como as parcerias que a Companhia foi estabelecendo com grandes mestres de outras artes, de que são exemplo Almada Negreiros, Graça Morais, Júlio Resende
ou Luís Pinto Coelho, tendo em vista uma nova conceção plástica dos espetáculos.
À dedicação e mestria de Carlos Avilez e João Vasco, mentores desta Companhia, se deve o facto de Cascais ser hoje local de referência do teatro nacional.
 
10. Casa Monsalvat - Amélia Rey Colaço
Rua do Calhariz | Travessa do Calhariz, n.º 19, Monte Estoril
Classificada como Monumento de Interesse Público, esta é a primeira casa “marroquina” projetada por Raul Lino, em 1901, para o seu amigo Alexandre Rey Colaço, pianista e compositor oriundo de Tânger e pai da atriz Amélia Rey Colaço que, desde a sua infância, aqui passou largas temporadas.
Amélia Rey Colaço Robles Monteiro (1898-1990) é considerada a mais proeminente figura do teatro português do século XX, que ao longo da sua brilhante carreira colaborou também com o Teatro Experimental de Cascais.
Em 1921 fundou com o marido, o ator Robles Monteiro a companhia Colaço-Robles Monteiro que serviu, durante 35 anos, a programação do Teatro Nacional D. Maria II.
 
11. Teatro Municipal Mirita Casimiro
Av. Fausto de Figueiredo, n.º 296, Monte Estoril
Em 1979 a Câmara Municipal de Cascais cedeu o antigo Picadeiro do Estoril ao Teatro Experimental de Cascais, para aí sedear a Companhia fundada em 1964, já então considerada uma das mais importantes instituições culturais do concelho.
Não obstante, apenas em 1986, depois de muitas obras de adaptação, o espaço seria inaugurado com o nome de Teatro Mirita Casimiro, em homenagem à atriz que tanto contribuiu para o êxito deste projeto.
Hoje este espaço cultural conta com uma sala de espetáculos com 98 lugares e um bar com foyer apto a receber pequenos espetáculos de café-concerto.
Desde a sua inauguração, o palco deste teatro tem sido pisado tanto por alguns dos mais consagrados atores nacionais, como por jovens formados pela Escola Profissional de Teatro de Cascais, que têm garantido a renovação da Companhia.
 
12. Hotel Palácio
Avenida Clotilde n.º 158 | Rua do Parque, Estoril
Este hotel constituía um dos equipamentos estruturantes do projeto encomendado, em 1914, ao arquiteto Henri Martinet, a quem se seguiu António Rodrigues da Silva Júnior. Inaugurado em 1930, sob a direção do arquiteto Raul Jourde e do decorador M. Fitté, o edifício, cuja fachada principal apresenta dois amplos corpos salientes, descentrados e de linhas claras, tinha quatro andares e dispunha de duzentos quartos.
Durante a II Guerra Mundial foi frequentado por espiões, políticos, negociantes, artistas e desportistas, assim como por reis, rainhas e destacados membros das principais famílias reais europeias, exiladas em Cascais.
Terá sido neste ambiente de troca e circulação de informações valiosas para o desenrolar da guerra que Ian Fleming se inspirou para escrever Casino Royale, o primeiro livro sobre o agente secreto britânico James Bond, publicado em 1953.
Anos depois, em 1969, o Estoril e Cascais receberiam a única missão em Portugal de 007, Ao Serviço de Sua Majestade/On Her Majesty’s Secret Service, de Peter Hunt, com várias cenas gravadas no Hotel Palácio e no Casino Estoril.

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