CONTACTOS
Fale connosco
800 203 186
Em rede

Está aqui

Quintas Históricas

As quintas existentes no concelho de Cascais eram, na sua maioria, propriedades onde o caráter de recreio e lazer se aliava a uma função agrícola, situando-se, por isso, em localidades no interior onde os solos eram mais férteis e os recursos faunísticos e hídricos mais abundantes. Com o declínio da agricultura e a progressiva urbanização das propriedades rurais, as herdades foram-se fragmentando, estando hoje praticamente reduzidas às áreas de habitação e suas dependências. A perda da vocação agrícola sugere, atualmente, uma possível adaptação a vertentes socioeconómicas em expansão, como a do turismo de habitação.

As quintas mais afamadas relacionam-se diretamente com a produção do Vinho de Carcavelos. Hoje em dia, as vinhas centram-se nas Quintas da Ribeira e dos Pesos, situadas em Caparide, na Quinta da Samarra, no Livramento, e na Quinta do Marquês (Instituto Nacional de Recursos Biológicos, antiga Estação Agronómica), em Oeiras.

Na freguesia de Carcavelos, situam-se ainda outras quintas de relevo: a Quinta do Barão, classificada como imóvel de interesse público e ligada à produção do Vinho de Carcavelos até à década de oitenta do século XX, possui um solar com uma capela ornada por magníficos exemplares de azulejaria rococó. No jardim encontram-se diversos exemplares azulejares representando motivos de flora e fauna, as adegas e lagares, símbolos da sua produção vinícola. A Quinta da Alagoa, com um edifício de fundação, pelo menos seiscentista, remodelado e ampliado no século XIX, ostenta ainda uma antiga adega, uma nora, uma mina de água e uma lagoa, que evoca o gosto do século XIX tardio. A Quinta Nova ou de Santo António, imóvel em vias de classificação, teve a sua produção de vinho durante séculos, estando documentada desde meados do século XV. A partir de meados do século XIX, devido a uma sucessão de pragas infestantes, registou-se uma quebra acentuada na produção. A partir de 1870, o palácio e uma parte da quinta acolheram a instalação da estação do Cabo Submarino, que estabelecia a ligação entre Inglaterra e Bombaím, na Índia, e, posteriormente, com os Açores, Cabo Verde e Brasil. A fixação de uma colónia de súbditos ingleses no local deu origem à designação de Quinta dos Ingleses. Desta ocupação restam ainda vários edifícios como o hospital ou o denominado Queen's building. O solar da Quinta é atualmente ocupado pelo St. Julian´s School. Nesta freguesia são também de referir a Quinta de São Miguel das Encostas, em Sassoeiros, e a Quinta de Santa Maria do Mar, no Arneiro, ambas ligadas à cultura vinícola.

Na freguesia de Cascais, destaca-se a Quinta da Charneca, de fundação setecentista, hoje bastante alterada, mas que conserva ainda uma extensa área envolvente.

Em Alcabideche concentra-se o maior número de quintas, algumas delas em ruínas, como é o caso das Quintas de Vale Cavalos, do Marquês de Angeja, de Santa Rita (nas Almoínhas Velhas), de Nossa Senhora da Lapa (Alcoitão) e do Casal de Assamassa. Nesta freguesia, assumem maior relevância o Casal de Porto Covo, no Pisão de Cima, a Quinta do Pisão de Baixo e a Quinta de Manique, ou do Marquês das Minas, em Manique de Baixo. O Casal de Porto Covo constitui um imóvel em vias de classificação, cuja propriedade agrícola com raiz medieval se manteve ocupada até ao final do século XIX. As primeiras referências, datadas do século que XIV, referem a existência do casal e da azenha como edifícios pertencentes ao Convento dos Frades Jerónimos, sito na Penha Longa. Hoje existem ainda um forno de cal, ruínas de uma azenha, larga extensão de aquedutos, e uma capela datada de 1766. A Quinta do Pisão de Baixo, que integra o Casal da Cartaxa, possui ao longo da Ribeira das Vinhas, azenhas – das quais se destaca uma com cantaria manuelina – aquedutos para o transporte de água para as mesmas e pontes. Esta quinta, reorganizada em meados de Novecentos, adquiriu uma notável coleção de azulejaria dos séculos XVII a XIX, que entretanto desapareceu do local. A Quinta de Manique, imóvel em vias de classificação, foi provavelmente fundada no século XVII e remodelada em finais do século XVIII, possuindo uma importante coleção azulejar dos séculos XVII e XVIII, bem como um bonito jardim neoclássico.

Na freguesia do Estoril, distinguem-se a Quinta Patiño, em Alcoitão, com edifício construído neste século, mas com recheio azulejar dos séculos XVII e XVIII e uma capela, que tendo sido remontada no local, data do século XVIII; a Quinta da Ribeira, em Caparide, que possui um solar do século XVIII com capela, lagar e outras estruturas de apoio à produção agrícola, em bom estado de conservação; e a Quinta dos Chaínhos, da qual se destaca a existência de um aqueduto.

Em São Domingos de Rana são de realçar a Quinta da Torre da Aguilha, a Quinta de Rana e a “Quinta da Estrangeira”. A Quinta da Torre da Aguilha, imóvel cuja classificação se encontra em fase de instrução, possuia um solar de provável fundação setecentista, que se encontra hoje parcialmente em ruínas devido a um incêndio ocorrido na década de setenta do século XX. A Quinta de Rana foi uma das quintas de produção do vinho de Carcavelos que esteve em laboração até à década de quarenta do século XX. Da antiga herdade resta a casa setecentista, as dependências anexas e vestígios do jardim, nomeadamente as alamedas definidas pelos arvoredos, a nora, o tanque de rega e o aqueduto.  

Cascais Digital

banner_cascais_0banner_cascaisambiente_0banner_cascaisparticipa_0banner_cascaisjovem_0banner_cascalitosbanner_lojacascaisccbanner_geocascaisbanner_agendacascaisbanner_fixcascais