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Festas do Mar: 40.000 encheram a Baía de Cascais


















































Neste terceiro dia das Festas do Mar, cerca de 40.000 pessoas assistiram aos concertos da dupla António Zambujo & Miguel Araújo e dos Capitão Fausto. Um sábado para criar memórias entre gerações.
Com a dupla Miguel Araújo & António Zambujo nunca se sabe o que vai acontecer. O duo que conquistou Portugal, quando realizaram o feito inédito de esgotarem 28 concertos nos Coliseus de Lisboa e Porto, torna cada espetáculo único e irrepetível. Com o fator surpresa na manga, as expetativas do público que também esgotou a Baía de Cascais, estavam ao rubro.
Foi o primeiro concerto ao ar livre do duo no seu registo intimista de duas vozes e duas guitarras. “Estavamos muito expectantes e com algumas dúvidas em trazer este espetáculo a Cascais, pois nunca o tinhamos feito num festival. Estamos habituados a salas fechadas e gente sentada, não sabiamos como iria correr. Erámos só os dois contra milhares. Mas, ainda bem que aceitámos o desafio. O público de Cascais surpreendeu”, afirmou Miguel Araújo, momentos após o concerto.
Logo de inicío, o público ficou, por momentos, em silêncio, surpreendido por um dos mais poéticos começos de concerto nas Festas do Mar. Aproveitando o cenário natural da Baía de Cascais, ao som do icónico fado "Foi Deus" de Amália Rodrigues, António Zambujo surgiu de barco vindo do mar. Enquanto isso, Miguel Zambujo tocava na varanda do Hotel Baía. Depois deste começo visual e musicalmente inédito, no Palco Cascais não houve cenários grandiosos, nem arranjos complexos. Apenas a música pela música. E foi nesse despojamento que aconteceu a beleza: cada acorde, cada palavra e cada silêncio encontraram eco num público que se deixou conduzir por duas das vozes mais amadas pelos portugueses. Entre êxitos próprios, canções que se tornaram parte da identidade conjunta de Zambujo & Araújo e versões inesperadas de clássicos do cancioneiro popular português e brasileiro, tudo soou íntimo, único e irrepetível.
Houve espaço para riso e emoção, para a delicadeza de uma balada e a energia de um refrão cantado em uníssono com milhares de vozes. Nesta noite mágica, a Baía inteira transformou-se num coro espontâneo. O público vibrou com esta cumplicidade tão rara, feita de humor, improviso e autenticidade, que transforma cada espetáculo num encontro íntimo entre artistas e ouvintes. Num tempo em que estamos rodeados de estímulos e grandes produções, o reencontro com o essencial emocionou o público: duas guitarras, duas vozes, e a emoção partilhada. “Nem o sabemos fazer de outra forma”, confessou António Zambujo.
Para Bernardo Corrêa de Barros, presidente do Turismo de Cascais, a aposta em Cascais e no público de Cascais está ganha, ao desafiar o António Zambujo e o Miguel Araújo a trazerem o seu espetáculo. concebido para salas fechadas, para o ar livre. “Ainda bem que eles aceitaram. Estão de parabéns as 40.000 pessoas que assistiram e fizeram deste concerto um dos melhores em mais de 20 anos de Festas do Mar”, acrescentou o mentor da versão mais recente do festival cascalense que começou por ser a "Festas dos Pescadores de Cascais", com primeira edição em 1964.
Muito depois do concerto terminar, muita gente na rua ainda cantarolava icónicas canções como “Vem Comigo Ver os Aviões”, “O Pica das Sete” ou “Cabecinha no Ombro”. Um sábado à noite que ficará, assim, gravado na memória de quem esteve presente, porque ninguém saiu dali igual a como entrou
Cascais ficará para sempre na “Boa Memória” dos Capitão Fausto
Ainda era cedo, e a Baía de Cascais já mostrava sinais da enchente que viria a criar uma impressionante moldura humana nesta terceira noite do festival mais próximo do Atlântico. Naturais de Lisboa e a tocar para os seus “vizinhos”, os Capitão Fausto puseram o público a cantar e a dançar, e terminaram a sua estreia nas Festas do Mar a admitir que se sentiam a tocar em casa. “Cascais chamou muito, e chamou bem! Foi um concerto muito divertido, sentimos que as pessoas estavam muito próximas,” garantiu Domingos Coimbra, baixista da banda.
As expectativas da banda eram elevadas, mas, após o concerto, rapidamente perceberam que esta noite seria para repetir: “A expectativa era alta e foi superada e, portanto, gostávamos de agradecer à Câmara Municipal, gostávamos de agradecer às Festas do Mar por nos convidarem. Esperamos ser bem-vindos mais vezes,” expressou o vocalista Tomás Wallenstein.
Com um concerto que passou pelos vários discos do grupo, foram êxitos como “Santa Ana”, “Amanhã Tou Melhor” e “Amor, A Nossa Vida” que puseram sorrisos na cara de quem assistia entusiasmadamente a esta estreia no festival.
Cascais tem “Boa Memória”, e o concerto dos Capitão Fausto nas Festas do Mar será difícil de esquecer, tanto para o público, como para a banda: “Ficamos com uma memória incrível deste sítio, uma Baía incrível, tocámos naquele momento que gostamos muito, que é o pôr do sol e acabamos de noite. Foi muito bonito, muita gente a cantar as músicas, e ficámos muito contente,” confirmou Manuel Palha, guitarrista.
Filipe Gonçalves leva energia e carisma à Baía de Cascais
Neste terceiro dia de festival, coube a Filipe Gonçalves, a abertura do Palco Cascais. O artista português, conhecido pela sua carreira multifacetada e pela fusão de soul, funk e R&B, trouxe ao público uma atuação intensa e cheia de personalidade, que combinou o seu repertório de sempre com novos temas que celebram duas décadas de carreira.
Desde cedo, a Baía começou a encher-se e Filipe Gonçalves não dececionou, cativando os presentes com a sua energia contagiante, a versatilidade vocal e o carisma que o têm destacado na música portuguesa contemporânea. Entre temas do seu álbum A.M.O.R. e canções que marcaram a sua trajetória, o concerto foi uma verdadeira viagem musical que combinou emoção, ritmo e boas memórias para várias gerações.
Os MANILA levaram a sua sonoridade única ao Palco Super Bock
A banda portuguesa MANILA subiu este sábado ao Palco Super Bock, na Cidadela de Cascais, e conquistou o público com a sua mistura singular de soul, R&B, jazz, indie pop e funk.
“Este convite para vir a um grande festival como as Festas do Mar, é um passo muito importante para os Manila porque queremos conquistar novos públicos e crescer enquanto banda. Este foi o maior palco em que já atuámos e foi uma experiência fantástica. Não consigo eleger um só momento alto do concerto. Adorei aqui estar do princípio ao fim”, referiu Carmo Braga da Costa, momentos após sair do palco e ainda com a emoção a brilhar no olhar.
Formados em 2022, a partir de um trio nascido na escola de jazz Luís Villas-Boas, os MANILA apresentam-se hoje como um quinteto composto por Carmo Braga da Costa (voz), Gerard Torres (teclados), Ricardo Pedrosa (baixo), Zé Lobo da Costa (bateria) e João Serra (guitarra). No concerto, em Cascais, mostraram a força do seu primeiro trabalho, o EP “Domingo à Tarde”, editado em novembro de 2024, que já lhes valeu reconhecimento pela originalidade das composições e pela intensidade interpretativa da vocalista.
Entre temas como “Estas Ruínas”, de ritmo contagiante, e a introspetiva “Dalila”, dedicada à bisavó de Carmo, o público foi levado numa jornada musical onde o existencialismo, o amor e a solidão se transformam em histórias cantadas com alma.
Com um som que alia nostalgia e frescura contemporânea, os MANILA confirmaram em Cascais porque são uma das propostas mais promissoras da nova música portuguesa.