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Amália no Estoril
A 18 de setembro de 1987, o Teatro Experimental de Cascais foi palco de um momento histórico para o Concelho. O grande nome da música portuguesa, Amália Rodrigues, atuava, pela primeira vez, no T.E.C., depois de muitos convites por parte do seu amigo, Carlos Avilez. O concerto, de homenagem ao ator José de Castro, amigo da fadista falecido 10 anos antes, tinha como objetivo angariar fundos para a construção de um busto do ator na sua terra natal, em Paço de Arcos.
Naturalmente, não fosse Amália a estrela maior da cultura portuguesa à altura, 48 horas foi o necessário para esgotar a lotação do espaço, e atingir um número recorde de espectadores no Mirita Casimiro: 472 pessoas.
A noite era quente e, à altura, não havia ar condicionado no Teatro Experimental de Cascais, apenas uma ventoinha que a própria Amália teve de mover no início do concerto, ação que arrancou gargalhadas da audiência, e acertou o tom para uma noite memorável.
O calor e a lotação, numa noite de profunda emoção e que levou a própria fadista às lágrimas, obrigaram a abrir as portas do auditório, permitindo a que muitas pessoas sem ingresso pudessem ouvir, da rua, aquela voz icónica.
No meio da grandeza do momento, o que ninguém se apercebeu foi que uma espectadora, fervorosa admiradora da fadista, com lugar na última fila da plateia, estava a filmar o espetáculo numa pequena máquina de filmar.
Largos anos mais tarde, essa filmagem chegou às mãos do T.E.C., que transferiu o registo para DVD e masterizou, pelas mãos de Miguel Silva Ângelo. Agora, em 2026, foi, finalmente, possível voltar a visionar esse mesmo concerto através dessas filmagens.
Neste domingo, 20 de setembro, o Auditório Carlo Avilez, inserido na Academia das Artes do Estoril, recebeu o público para uma sessão de visionamento destas imagens. Nuno Piteira Lopes, presidente da Câmara Municipal de Cascais, e Luís Almeida Capão, vice-presidente, estiveram presentes neste momento histórico para o T.E.C., e para a cultura no Concelho.
“Hoje lembrámos mais uma grande história,” disse Luís Almeida Capão. “Cascais é para toda a vida, mas, ao mesmo tempo, surge daquilo que é a história da cultura e da memória coletiva que nos fez ser o que somos hoje em dia,” concluiu.
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