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O estranho caso do rapto falhado do Duque de Windsor em Cascais

O espião duplo Dusko Popov impediu que os Duques fossem conduzidos a uma cilada armada por ordem do ministro alemão dos Negócios Estrangeiros.

Cascais foi placo do famoso episódio de uma tentativa frustrada de rapto do Duque de Windsor, por agentes da Gestapo, e envolveu as secretas alemã e britânica, tendo esta última impedido que os Duques fossem conduzidos a uma cilada armada por ordem do ministro alemão dos Negócios Estrangeiros.

O Duque de Windsor reinou durante cerca de um ano, como Eduardo VIII, antes de abdicar ao trono britânico, por insistir em casar-se com a norte-americana, duas vezes divorciada, Wallis Simpson.

Dominado pelo seu amor a Wallis Simpson e pelas suas claras simpatias pelo regime nazi de Adolf Hitler, o Duque de Windsor foi uma permanente dor de cabeça para a Coroa e para o governo britânico durante a segunda Guerra Mundial.

“Depois de eu morrer, o rapaz vai arruinar-se em menos de 12 meses”, vaticinou o Rei Jorge V ao seu primeiro-ministro, Stanley Baldwin, acerca do seu filho e sucessor, o futuro rei Eduardo VIII.

O vaticínio do velho monarca foi certeiro. Eduardo VIII foi rei durante apenas um ano, antes de abdicar ao trono para se casar com a americana Wallis Simpson.

O casamento com uma americana, ainda por cima duas vezes divorciada, não era aceite pelo gabinete, nem pelos britânicos, e Eduardo VIII foi forçado a renunciar ao trono, alegando “não conseguir executar as pesadas tarefas de monarca sem o apoio da mulher que amava”.

Depois de abdicar, o Duque de Windsor foi viver para França.

Recebido com pompa e circunstância por Hitler

Politicamente ingénuo, Eduardo era cortejado por agentes nazis que lhe sugeriram que seria reinstalado no trono se a Alemanha ganhasse a guerra. O Duque fez inúmeras declarações derrotistas sobre a capacidade do seu país resistir ao poderio militar alemão. Efetuou mesmo uma visita triunfal de 12 dias à Alemanha e foi recebido com todas as honras, um ano depois de abdicar. O casal foi recebido por Hitler na sua residência de férias. Pelo menos numa ocasião, o Duque de Windsor fez a saudação nazi.

Na sequência da ocupação da França pela Alemanha, o Duque de Windsor e a mulher foram persuadidos por Londres a exilarem-se em Portugal, um país neutral, para escaparem a uma eventual captura pelos alemães.

No Estoril, onde passou cerca de um mês, O Duque de Windsor partilhou momentos de ócio com outras cabeças coroadas destronadas, como o rei Humberto da Itália, ou com o Barão Rotchild, na residência cedida pelo banqueiro Manuel Ricardo Espírito Santo Silva, na Quinta do Gandarinha.

O Gabinete de Guerra britânico via com preocupação a propaganda veiculada pelo Duque, favorável ao regime nazi, e determinou, num telegrama enviado por Winston Churchill, que este regressasse de imediato à Inglaterra. Churchill lembrava-lhe que estava sob autoridade militar e que se não obedecesse seria submetido a tribunal marcial, já que o Duque tinha a patente de Major-General. Depois surgiu um segundo telegrama designando-o Governador das Bahamas.

O Duque de Windsor usou de várias manobras dilatórias para evitar a partida e isso era do conhecimento da secreta alemã. O embaixador alemão em Lisboa reportou ao ministro dos Negócios Estrangeiros Joachim von Ribbentrop que o Duque de Windsor “tencionava adiar a sua partida, tanto tempo quanto possível…na esperança de uma mudança nos acontecimentos que lhe fossem favoráveis”.

O exílio dourado nas Bahamas

E assim, no Estoril, decorreu o famoso episódio de uma tentativa frustrada de rapto do Duque de Windsor por agentes da Gestapo. Assumindo o lugar de motorista, o famoso agente duplo Dusko Popov impediu que os Duques fossem conduzidos a uma cilada armada por ordem do ministro alemão dos Negócios Estrangeiros.

Após sabotagem na bagagem, ameaças de bomba no navio Excalibur, a 2 de agosto de 1940, o duque de Windsor e Wallis Simpson partiam rumo às Bahamas, bem longe da Europa, para assumir o posto de Governador.

Depois da derrota da Alemanha, Winston Churchill quis destruir “todos os indícios” dos telegramas que revelavam a conspiração nazi para a repor no trono o Rei Eduardo VIII pelo seu apoio durante a guerra.

O conluio para o rapto, alegadamente consensual, envolvia a Espanha, que enviou Primo de Rivera a Lisboa para conversações com o Duque de Windsor, a quem apresentou o plano. Embora estivesse recetivo, o Duque manifestou reservas devido à intensa pressão de Londres que o intimava a partir para as Bahamas.

Após uma segunda visita de Rivera, os Nazis elaboraram o plano do rapto dos Windsors. Hitler nomeou pessoalmente o herói de guerra Walter Schellenberg para chefiar a operação.

O plano final de Schellenberg era atrair Windsor para a fronteira luso-espanhola, com a conivência de guardas fronteiriços colaborantes, já que os Duques não dispunham de passaportes, e mantê-los em Espanha seria, alegadamente, a forma de os “proteger dos atentados contra as suas vidas” por parte das secretas britânicas.

Winston Churchill conseguiu impedir a divulgação dos telegramas capturados no ministério dos Negócios Estrangeiros alemão, que sugeriam as suspeitas pró-nazis do Duque de Windsor, durante alguns anos, até 1957, e depois denunciou-os como sendo completas manipulações”.

Cópias desses telegramas estão guardadas nos arquivos do Congresso americano e no Smithsonian Institute.

O Duque de Windsor apenas voltou uma vez, numa curta estadia, à Pátria. O seu amor, apesar da dependência de uma relação abusiva de Wallis Simpson, nunca foi sinceramente correspondido, mas Eduardo abdicou de tudo por ela até ao fim, quando faleceu em França de cancro na laringe. Sérgio Soares

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