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Talks ESG: Cultivar a sustentabilidade na comunidade






Esta manhã de terça-feira, o projeto Terras de Cascais esteve em grande destaque em mais uma edição do “Talks Negócios”, promovido pelo Jornal de Negócios em parceria com a Cascais Ambiente. O evento que decorreu na Casa das Histórias Paula Rego, juntou Executivo Municipal, presidentes de Junta de Freguesia, dirigentes da Cascais Ambiente, especialistas, académicos, professores, horticultores e comunidade em geral, para uma “conversa” sobre um dos projetos mais bem-sucedidos e premiados do Município e com um elevado índice de popularidade na comunidade cascalense.
“Quando falamos de Terras de Cascais, já não falamos só de hortas comunitárias, mas de toda uma estrutura que desde 2009 não para de crescer”, referiu André Miguel, Chefe de Divisão das Terras de Cascais que está ao leme deste projeto desde o seu início.
Para além das hortas, o projeto alargou-se às vinhas e aos pomares comunitários, às escolas e ao estabelecimento prisional do Linhó, para além da Quinta do Pisão. Mais recentemente, a recuperação de tradições agrícolas como a produção de trigo barbela e de pão fabricado como o faziam os nossos ancestrais.
“Terras de Cascais é o resultado de uma política inovadora em dar vida a espaços mortos e torná-los em espaços para serem usufruídos e trabalhados por toda a comunidade. É a ligação do nosso município à tradição rural e a revitalização e preservação do nosso património agrícola, como a recuperação da vinha de Carcavelos e do trigo barbela”, referiu Nuno Piteira Lopes, presidente da Câmara Municipal de Cascais que abriu o debate.
O resultado está à vista de todos e é “case study “ nas academias: a criação de 800 jardins comunitários; 34 hortas comunitárias com 727 parcelas atribuídas; o envolvimento de 67 escolas no projeto “Horta nas Escolas”; quatro vinhas comunitárias e 26 vinicultores e suas famílias; cinco pomares comunitários com 35 fruticultores e famílias, uma horta de produção e visitação na Quinta do Pisão; uma horta de produção, a Horta do Brejo, no Estabelecimento Prisional do Linhó, envolvendo as reclusas em todo o processo; a Vinha de Carcavelos com 2,7 hectares; e 4 hectares dedicados à produção de trigo barbela.
Estes projetos não são apenas sobre sustentabilidade e produção de alimentos biológicos e sazonais. Promovem a coesão social, através do convívio entre vizinhos de diversas proveniências e gerações, estimulam a economia circular com uma verdadeira vertente de solidariedade, com mais de 60 toneladas de produção agrícola entregues a famílias carenciadas. São 3000 munícipes e 5000 alunos envolvidos, com uma forte componente de formação, quer de horticultores, quer de professores.
“O impacto destas iniciativas causa verdadeiras mudanças de hábitos na comunidade, contribuindo para uma vida mais saudável e com mais qualidade”, sublinhou Zilda Costa Silva, presidente do Conselho de Administração da Cascais Ambiente.
De lembrar que o programa “Terras de Cascais” foi recentemente distinguido com o Prémio Dubai Internacional de Boas Práticas para o Desenvolvimento Sustentável. A cerimónia ocorreu em fevereiro de 2026, no Dubai, durante o World Government Summit 2026. Este prestigiado galardão, promovido pelo Governo do Dubai em parceria com a UN-Habitat (ONU), reconheceu a iniciativa de Cascais como uma das cinco melhores do mundo entre mais de 3.000 candidaturas.
Mas, se o presente é o tempo do reconhecimento, o futuro é preparado com os pés na terra. E esse futuro, nas palavras de André Miguel, passa pelo empreendedorismo agrícola, ou seja, o desenvolvimento de condições para " atingirmos uma alta produtividade alimentar a uma escala económica que permita o acesso de produtos biológicos e sazonais a mais pessoas", traduzindo-se em mais sustentabilidade e qualidade de vida para o concelho.
As ideias que vão sair do papel e tornar-se realidade, graças ao trabalho da empenhada equipa da Cascais Ambiente, passam, assim, pela criação de cantinas escolares biológicas, a continuação e alargamento da Economia Circular através da consolidação e expansão de projetos como a Horta do Brejo que envolve não só a população reclusa como sete instituições de solidariedade social; a criação do parque agrícola "Hortas do Ninho"; a construção do Museu do Vinho de Carcavelos e Lagar; e, entre outras iniciativas previstas, a criação do "Selo Terras de Cascais" para certificar produtos biológicos, locais e sazonais.









