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Uma década em palco, o aplauso final


















O pano cai esta sexta-feira, 20 de março, sobre a 10.ª edição do Festival de Teatro Entre Nós, e no Auditório Carlos Avilez, na Academia de Artes do Estoril, sente-se mais do que o fim de um programa: sente-se o peso de uma década de comunidade em palco.
Na última noite, a plateia enche-se cedo. Há rostos familiares, quem acompanhou vários espetáculos ao longo das últimas semanas e outros que chegam pela primeira vez, atraídos pelo ambiente que se foi construindo ao longo do festival. Minutos antes do início, ouvem-se conversas cruzadas, expectativas e reconhecimento. É esse o espírito do Entre Nós: proximidade, partilha e pertença.
Em cena, o Grupo Cénico do G.D. Zambujeiro apresenta “Zambujeiro, Recordando a Preto e Branco”, um espetáculo, escrito e encenado pro Ana Paula Reis que encerra a edição com um tom evocativo e simbólico. Clássicos do Cinema português revisitados e recriados com muito humor e música em tom revisteiro que saltou do palco para a plateia e contagiou o público que respondeu com aplausos a cada quadro cénico. Mais do que um espetáculo, uma verdadeira celebração do Teatro e da representação e daquilo que as artes performativas têm em comum: o contato e envolvimento direto com o seu público, com lugar para a improvisação que casa com o tom certo do momento e do ambiente. Momentos irrepetíveis num diálogo constante entre o palco e a plateia.
"Este é um Festival único no país que dá voz ao Teatro que se faz nas associações, nos grupos desportivos e nas coletividades do concelho. E quem são estas pessoas? São os cascalenses que dão tempo da sua vida e se entregam de alma e coração, para dar algo à Comunidade. Que com a sua Arte, elevam Cascais ao seu máximo potencial", referiu João Aníbal Henriques, Diretor Municipal da Cultura, acrescentando que é a razão porque este Festival "é um patamar extraordinário de cidadania e de participação cuja celebração de uma década de existência, tem o dobro da importância no ano em que Cascais é a Capital Europeia da Democracia".
Ao longo de três semanas, entre 27 de fevereiro e 20 de março, passaram por este mesmo palco 14 espetáculos, todos de entrada gratuita, apresentados por grupos de teatro não profissionais de Cascais. Uma programação que voltou a reunir diferentes gerações, linguagens e abordagens cénicas, do teatro infantil às criações contemporâneas, passando por revisitações de textos clássicos.
Participaram coletividades de todo o concelho, como o Talaus Teatro da G.S.M. Desportiva de Talaíde, o Teatro Amador de Carcavelos, a Oficina de Teatro do G.M.D. 31 de Janeiro de Manique de Baixo, o Grupo Cénico do G.I.P.A., o Teatro Amador de Trajouce, a Companhia de Teatro Jovem da S.M.U.P. e o Teatro Infantil de Carcavelos, entre outros. Em palco, cruzaram-se propostas como “Nada é por acaso”, “O Coração não rende juros”, “O Rececionista” ou “O Príncipe Nabo”, refletindo a diversidade criativa do movimento associativo local.
Criado em 2016, o Festival de Teatro Entre Nós assinala agora 10 anos de atividade contínua, afirmando-se como um dos momentos centrais da programação cultural de Cascais. Promovido pela Câmara Municipal de Cascais, o festival tem vindo a consolidar-se como um espaço de valorização do teatro não profissional, dando visibilidade ao trabalho desenvolvido pelas associações culturais e recreativas do concelho.
Os números ajudam a contar esta história: em média, mais de uma dezena de produções por edição, envolvendo cerca de 12 a 13 grupos diferentes, e milhares de espectadores ao longo dos anos. Mas é no impacto menos quantificável que o festival encontra a sua força, na formação de públicos, na continuidade dos grupos e na criação de laços entre artistas e comunidade.
A concentração da programação no Auditório Carlos Avilez, um palco de referência, tem sido também determinante para esta trajetória, permitindo que os grupos apresentem os seus trabalhos em contexto profissional e reforçando a relação com o público.
À medida que o espetáculo final se aproxima do fim, o silêncio da sala transforma-se em aplauso prolongado. Não apenas para o que acabou de acontecer em palco, mas para tudo o que ali se construiu ao longo de dez edições. O Festival de Teatro Entre Nós despede-se até ao próximo ano, mantendo intacta a sua essência: um encontro entre pessoas, histórias e um território que continua a fazer da cultura um espaço de todos.









