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A Ciência ao Serviço do Mar








Cascais está a combater o avanço de uma alga invasora que tem afetado a costa portuguesa, recorrendo a ferramentas como barreiras flutuantes, imagens de satélite e inteligência artificial. O trabalho está a ser feito através de quatro projetos, desenvolvidos com entidades públicas e privadas.
O que é esta alga e porque preocupa
A Rugulopteryx okamurae é uma alga castanha que chegou às águas europeias a partir do Estreito de Gibraltar, depois de colonizar zonas do Mediterrâneo. Em Portugal, foi vista pela primeira vez em 2019, junto ao porto de São Miguel, nos Açores, provavelmente transportada em águas de lastro ou em cascos de navios.
O problema é sério: em Espanha, chegou a ser recolhida numa só cidade, em apenas um verão, o equivalente ao peso de mil elefantes adultos em alga. Além de acumular-se nas praias, a alga também prejudica a pesca, ao ficar presa em redes e cordas, e ameaça os ecossistemas marinhos. Espanha já tentou várias soluções, como apanhar, aspirar ou usar produtos químicos, mas nenhuma resultou de forma eficaz.
Em Portugal, foi criada em 2025 uma estratégia nacional para lidar com este problema, com um grupo de trabalho nacional que Cascais integra desde o início.
O que está a acontecer em Cascais
Todos os dias, a autarquia assegura a limpeza dos areais e remove a alga com equipamento pesado. Ainda assim, a alga continua a acumular-se, tanto na maré baixa como na zona onde as ondas rebentam. Isto tem causado transtornos nas praias, aumentado os custos de limpeza, e pode estar relacionado com a má qualidade da água registada nalgumas praias.
"O mar é um ativo estratégico em Cascais. Proteger a costa e a vida marinha é uma prioridade para o município", afirma Luís Almeida Capão, vice-presidente da Câmara Municipal de Cascais.
Quatro formas de enfrentar o problema
Para lidar com esta alga, Cascais está a apostar em três projetos diferentes, feitos em conjunto com universidades e empresas:
- Um primeiro projeto, com a Faculdade de Ciências de Lisboa, está a testar formas de eliminar a alga diretamente no mar, ao mesmo tempo que sensibiliza a população para o problema;
- Um segundo projeto, chamado ReAlga, dá um novo uso à alga recolhida, transformando-a em recurso em vez de resíduo. Em 2025, foram retiradas das praias 1300 toneladas de alga, das quais cerca de 738 toneladas eram, na verdade, areia, que foi devolvida ao litoral depois de separada. O que sobra da alga está a ser testado como possível fonte de energia ou como adubo para a agricultura.
- Um terceiro projeto usa imagens de satélite e inteligência artificial para tentar prever onde e quando a alga vai chegar às praias, permitindo à Câmara Municipal antecipar-se e avisar as autoridades e a população.
A Câmara Municipal de Cascais está também a reforçar a limpeza das praias e a procurar empresas interessadas em dar um novo uso económico a este resíduo.
Cascais pode ser um exemplo para outros países
Se estas soluções resultarem, Cascais poderá tornar-se o primeiro município português a testar, de forma integrada, uma resposta a este problema, servindo de exemplo para outras zonas costeiras afetadas, do Algarve às Ilhas Canárias, passando pelo Mediterrâneo.
"Apesar de ser um problema recente em Cascais, temos acompanhado os efeitos desta alga noutros municípios do sul do país. Acreditamos que trabalhar em conjunto é a forma mais rápida de resolver este problema", conclui Luís Almeida Capão.
CMC | AMM | BN









