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The Gift: cantar até a voz doer

“The Gift – Primavera/Verão” é a tour nacional que a banda de Alcobaça tem levado estrada fora, em 2019. Este sábado, foi a vez de Cascais receber o mais recente espetáculo da banda portuguesa que revisita 25 anos de carreira. Antes animaram o palco das Festas do Mar o Pop urbano dos Mur Mur. Durante a tarde houve também um concerto infantil, com "As Canções da Maria.

The Gift: Este não é um simples “Verão”

The Gift começaram a aquecer o público com dois temas – “Sol” e “Cabin” do seu mais recente álbum “Verão”. Este álbum aparece seis anos após “Primavera”, mas não é, necessariamente, uma continuidade. Fruto da parceria com o conhecido produtor Brian Eno, que já tinha colaborado com a banda portuguesa no disco "Altar"(2017), este é um “Verão” diferente do mar e das cores vivas do sol, da pele salgada e as paixões fugidias. Um “Verão” mais melancólico, de brisas suaves, onde o preto e branco dá lugar ao azul-escuro. Ao sépia. Ao calor visto desde dentro. Uma vertente mais intimista, por parte de uma banda que nos habituou a uma vocação épica.

“Verão” é bem a prova da capacidade de reinvenção constante de uma banda que não acusa qualquer desgaste, duas décadas após o mítico concerto na Aula Magna, em Lisboa, onde revelaram o seu álbum de estreia, “Vinyl”.

Sara Tavares já tinha afirmado que “Verão” é um disco complexo, intenso e o mais introspetivo dos álbuns da banda. Depois do impactante “Altar”, este “Verão” traz mais lembranças dos The Gift da primeira década de vida. O piano é o elemento central, a bateria é exclusivamente eletrónica, há duas faixas em português, e muitas cordas. É o caso de “Cabin” o segundo tema deste espetáculo.

Mas, seria só com o tema seguinte “Primavera” do carismático álbum “Explode”, que estava encontrado o primeiro ponto alto do concerto, com Sónia Tavares a pedir “mil estrelas” ao público que respondeu com as luzes do telemóvel em punho e a cantar o refrão em uníssono.

“Verão” seguir-se-ia, mais melancólico, quase um anticlímax, uma promessa de “uma amanhã melhor”, com Sara Tavares a alertar o público para o novo videoclip do tema que dá nome ao último álbum.

Presentes estiveram também temas do incontornável “Altar” como “Love Without Violins” e “Big Fish”, fruto da primeira colaboração com o produtor Brian Eno.

O velhinho “OK” do primeiro álbum da banda “Vinyl” também teve lugar neste espetáculo de celebração da carreira de uma das bandas mais sólidas do panorama Pop português. Mas, também não seria esquecido o dançável “Driving”, do álbum “Fácil de Entender” (2oo6),com os néons do palco a condizer para uma atmosfera puramente Pop.  

E, depois, a explosão acontece com “Vulcão”, ainda do último álbum homónimo,  recebido com uma grande ovação do público que mostrou seguir a par e passo as últimas criações dos The Gift. Neste “Vulcão”, o entrelaçar de cordas com a bateria eletrónica, o coro quase gospel, o piano e a voz de Sónia Tavares numa interpretação impressionante, criaram outro dos momentos especiais do concerto.

 “ Juntos sou eu, só eu/ juntos sou eu, só eu/ juntos sou eu”, o “Clássico” da banda não podia faltar e todos juntos, Sara e público, entoaram uma das melodias mais bonitas do Pop luso.

Foi, logo após, que Nuno Gonçalves revelou uma história que deixaria qualquer cascalense orgulhoso: “ Cascais foi super importante na história recente da banda. Andávamos cansados e um pouco desavisados uns com os outros quando nos convidaram para vir passar um fim de semana a Cascais. Só sei que no fim saímos daqui renovados e unidos como nunca”, confessou o músico. Uma excelente introdução para a música que se seguiria.

Não queremos ser tendenciosos mas “Impressiveness”, num registo oposto ao de “Vulcão”, musicalmente introspetivo, denso e cheio tensão, revelou  uma sonoridade ainda mais Gift se assim se pode dizer e produziu um daqueles momentos que, certamente, ficará na memória dos milhares que assistiram ao concerto. Como não gostar dos The Gift?   

Terminado o espetáculo foi a vez dos encore... e ninguém queria que acabasse, o que "É Fácil de Entender", com o público completamente rendido à voz e ao carisma de Sónia Tavares. A cantora ainda brindou a audiência com "Gaivota", trazendo a saudosa lembrança da voz de Amália Rodrigues. 

Este foi, definitivamente, um concerto para quem gosta de música eletrónica, teclados, cordas, e sobretudo, canções Pop. O melhor do Pop que se declina em português e se conjuga com talento e inventividade.

"Cada vez que vimos a Cascais levamos com uma lufada de ar fresco e voltamos sempre muito bem dispostos", confessou Sónia Tavares, momentos depois de deixar o palco. Que volte sempre. O público e Cascais agradecem. 

A Alma Portuguesa dos Mur Mur

Estamos habituados a ver Sandra Celas noutros palcos, os da representação. Este sábado, o público das Festas do Mar teve oportunidade de apreciar outros talentos da atriz, como vocalista dos Mur Mur. Um projeto musical ainda recente, já com um álbum editado este ano, "Rio Invisível". Os Mur Mur possuem já uma sonoridade muito própria que mistura o Pop urbano com a alma portuguesa. O resultado são temas originais que falam da nossa tradição como "Lisboa", "Nevoeiro" e "Janela", ou de outros, como "Sete Naves", dos GNR.

"As Canções da Maria" deram música aos mais novos

Os concertos infantis fazem já parte das Festas do Mar e são sempre bastante concorridos. Este sábado a animação coube às Canções da Maria, uma banda cascalense que nasce no seio da familia e com um propósito verdadeiramente pedagógico. " Ensinar a matéria escolar através da musica é muito mais fácil e agradável de aprender", afirma Maria e as filhas Mathilde e Manon concordam. " Já houve quem tivesse tido 98% no teste de História por causa das nossas canções", garantiu, ainda, Mathilde. (PL)            

 

Cascais Digital

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