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Sandálias de Cascais é o novo doce do FoodLab
O FoodLab Cascais apresentou recentemente o projeto “Sandálias de Cascais”, um doce inovador inspirado numa peça arqueológica singular do território: as Sandálias de Alapraia, integradas no acervo do Museu da Vila e datadas do período Calcolítico.
As sandálias originais, constituídas por dois moldes de sola em pedra com a marcação das entradas dos atadores, remontam a um momento de transição fundamental da pré-história, do Neolítico para a Idade do Bronze, marcado pelo início da metalurgia do cobre, pela agricultura cerealífera e pela pastorícia. Este contexto histórico e alimentar serviu de base conceptual para a criação de um produto de doçaria contemporânea, profundamente enraizado na identidade de Cascais.
O desafio lançado ao FoodLab passou pela criação de duas interpretações gastronómicas: uma versão simples, sob a forma de biscoito seco, e uma versão mais elaborada, apresentada como sobremesa.
Na versão de biscoito seco, privilegiam-se ingredientes ancestrais e identitários do território, como a cevada, a amêndoa e o mel, utilizado como principal agente adoçante. A escolha do mel reforça a ligação a práticas milenares e pré-industriais, conferindo complexidade aromática, capacidade de conservação e uma identidade gustativa clara. O azeite surge como elemento estrutural, garantindo leveza e estabilidade, enquanto especiarias como canela, cravinho e erva-doce são incorporadas de forma subtil, evocando rotas comerciais e práticas culinárias históricas do mundo romano e mediterrânico. A raspa de limão introduz frescura e equilíbrio, reforçando a ligação ao território.
A apresentação contou com a presença de Nuno Piteira Lopes, presidente da Câmara Municipal de Cascais, Luís Almeida Capão, vice-presidente da autarquia, e os vereadores Frederico Nunes e Alexandra Domingos Carvalho, que participaram na prova de três biscoitos secos, acompanhada por uma folha de análise sensorial e água para limpeza do palato entre sabores, convidando o executivo a uma leitura consciente e comparativa do produto.
A versão sobremesa assume uma abordagem mais contemporânea, mantendo a coerência histórica. Desenvolvida com uma base de tâmaras, integra um recheio de amora ou framboesa, garantindo acidez e frescura, e é finalizada com um fio de vinho de Carcavelos, elemento vínico identitário do concelho. Esta combinação cria profundidade, contraste e uma narrativa sensorial que articula memória, território e inovação.
No seu conjunto, as Sandálias de Cascais afirmam-se como um objeto gastronómico que equilibra passado e futuro, tradição e contemporaneidade, aliando clareza sensorial, viabilidade técnica e repetibilidade produtiva. O projeto constitui também uma base sólida para futura contextualização histórica e museológica, reforçando a legitimidade do produto enquanto peça de representação cultural comestível.
Através deste doce, Cascais volta a demonstrar que é um território onde a história se prova, se interpreta e se projeta no futuro.
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