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Investigação internacional Stigma Index vai ser aplicada em Portugal | Conhecer melhor a realidade de portadores de VIH/Sida para contrariar discriminação e exclusão

Decorreu nesta manhã, dia 19 de fevereiro, em Cascais, nas instalações da SER+ Associação Portuguesa para a Prevenção e Desafio à Sida, a sessão de lançamento do projeto de investigação internacional Stigma Index em Portugal. No âmbito deste projeto, cerca de 1500 pessoas com VIH de vários grupos vulneráveis dos distritos de Lisboa, Porto, Setúbal, Faro e Coimbra - distritos onde se concentram 75% dos casos notificados de VIH - vão ser chamadas a preencher um questionário sobre todos os aspetos das suas vidas.

Através dos questionários pretende-se conhecer de que forma o VIH afeta a vida as pessoas em todas as suas dimensões. Assim, serão colocadas questões sobre a experiência do estigma, discriminação vivida e suas consequências; acesso ao trabalho e aos serviços; estigma interno; direito, leis e políticas; mudança efetiva; teste ao VIH; exposição e confidencialidade; tratamento; ter filhos e ainda problemas e desafios.

Para levar este estudo à prática, “foi feita uma formação a 17 pessoas que, numa primeira fase, vão de Norte a Sul do país auscultar cerca de 1500 pessoas com VIH”, explica Margarida Prieto, da direção da Ser +, Associação Portuguesa para a Prevenção e Desafio, entidade parceira na realização deste estudo em Portugal. Para a responsável, “é importante reconhecer a realidade portuguesa. Este projeto tem como objetivo ajudar as pessoas estigmatizadas com a infeção de VIH, facultando informações para conhecerem melhor os seus direitos e, com isso, melhorar as suas condições de vida”, acrescenta.

Para Jorge Sampaio, Alto Representante da ONU para a Aliança das Civilizações, “ainda existem muitas paredes que isolam do sofrimento das pessoas (…) quanto melhor se conhecer a realidade num tema como este, melhor se poderá avançar em matéria de integração social, de respeito de direitos humanos”. O responsável realça, contudo, que “nada disto pode ser feito sem conhecimento do que está acontecer”, daí a importância de um estudo desta natureza, já que, como salienta Jorge Sampaio: “normalmente, são as comunidades das pessoas atingidas por VIH que têm uma experiência concreta e é essa que importa conhecer, importa valorizar, importa estudar. Para daí se tirarem conclusões de atuação”.

Representando a Câmara Municipal de Cascais na sessão, Frederico Pinho de Almeida, vereador da Ação Social, mostrou estar convicto que "o resultado deste trabalho permitirá reforçar os alicerces no combate ao estigma e discriminação em relação às pessoas portadoras de VIH.  A Ser+ é parceira da Câmara Municipal de Cascais na Rede Social e, entre outras áreas, desenvolve um trabalho fundamental nas questões relacionadas com o VIH, pelo que é com gosto que nos associamos a mais esta iniciativa", acrescenta.

Promovido a nível internacional desde 2004, o “People Living with HIV Stigma Index” resulta de uma iniciativa conjunta de várias organizações como o Global Network of People Living with HIV, International Community of Women Living with HIV/AIDS, International Planned Parenthood Federation (IPPF) e Joint United Nations Programme on HIV/AIDS (UNAIDS). A estas instituições juntam-se agora instituições nacionais como a Ser +, o Centro Anti-Discriminação VIH/SIDA, o Grupo Português de Activistas sobre Tratamentos de VIH/SIDA, e ainda unidades hospitalares e organizações não-governamentais.

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