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Alexandra Cousteau: “Podemos reverter a perda dos oceanos e da biodiversidade”

Co-fundadora e presidente da Oceans 2050 intitula-se nas redes sociais como “amante dos oceanos, mãe e exploradora da natureza”. Cineasta e ativista ambiental, Alexandra Cousteau, neta do explorador e oceanógrafo Jacques-Yves Cousteau, o comandante do Calypso, esteve em Cascais no âmbito da conferência “The Future of Politics” e falou ao Canal Cascais sobre os desafios que enfrentamos para recuperar a abundância nos oceanos.

Quanto às alterações climáticas, acha que estamos no caminho certo?

Se continuarmos a agir como até aqui não. Temos vindo a perder oceanos nos últimos 50 anos. Por cada ano que passa temos menos vida no oceano, por isso a solução não é continuar a fazer como até aqui. Mas o que é entusiasmante nesta altura, é que, se formos capazes de apreender estas novas tecnologias e inovação, pela primeira vez na nossa história, vamos ser capazes de responder à perda exponencial com soluções exponenciais. Porque até agora temos apenas respondido apenas com incremento na mudança e é por isso que temos assistido a mais extinção, à crescente perda de recursos dos nossos oceanos, à perda de biodiversidade, ao aumento de instabilidade climática. E a tendência não é para reverter… que é exatamente aquilo de que necessitamos.

E podemos reverter essa tendência?

Podemos reverter as mudanças climáticas, podemos reverter a perda dos oceanos e da biodiversidade. E para o fazer, precisamos de responder às perdas exponenciais com mudanças exponenciais. Agora temos a tecnologia que nos permite conduzir qualquer pessoa a contribuir para essa visão de conjunto, em vez de reagirem com ações isoladas, fazendo o que lhes parece ser uma boa ideia no momento. Para isso, temos de partilhar uma visão mais alargada de um futuro mais abundante. Temos de acreditar que é possível reverter as mudanças. Acredito que a ciência e a tecnologia, embora não sejam uma solução mágica, são as ferramentas que podemos usar para reverter esta tendência, se as soubermos usar estrategicamente ao serviço desta visão partilhada.

Está a referir-se aos Governos ou aos cidadãos?

A todos. Vai exigir a participação de todos. De líderes esclarecidos a nível governamental e empresarial que olhem além de ganhos a curto prazo e do lucro e comecem a pensar em como é possível recuperar a abundância dos oceanos, da terra, do ambiente. Beneficia toda a gente.

O que pode um cidadão comum fazer para conduzir à mudança?

Muitas pessoas com quem tenho falado sentem-se algo deprimidas com a questão das alterações climáticas… os incêndios, as inundações, o degelo das calotas polares…  É, de facto deprimente se olharmos para as coisas dessa forma e quando pensamos que o sistema que temos não está a mudar esse resultado. É deprimente. Então como mudamos esse sistema? Pode parecer dantesco… Em primeiro lugar, temos de recordar que houve enormes mudanças nos últimos 10 anos. Fizemos alterações sociais, tecnológicas, mudámos muito. Nos últimos dois anos, com a pandemia [de Covid-19] desenvolvemos a vacina em tempo recorde, vacinamos centenas de milhões de pessoas, mudámos a forma como fazemos as coisas… esquecemo-nos de tantas mudanças que operámos nos últimos 10 anos… É difícil imaginar o quão podemos mudar nos próximos 10 anos se focarmos as nossas intenções nesse mesmo objetivo e usarmos a nova tecnologia e aquela que estamos a desenvolver com esse objetivo [da mudança]. Então acho que poderemos ficar surpreendidos com o resultado. Naturalmente que ninguém sabe, mas creio que será falta de visão assumir que nada irá mudar e que o resultado está predeterminado.

Então todos podemos fazer a diferença?

Estão a chegar as ferramentas que nos vão permitir, como nunca antes, criar essa mudança ao nível individual.

Tais como?

A nossa capacidade de contribuir para o restauro dos ecossistemas de forma tangível. De forma que possamos fazer parte, ver, acompanhar, partilhar enquanto comunidades. Essas ferramentas estão a emergir.

E no quotidiano? Numa ida ao restaurante?

Embora seja muito importante continuarmos a preocuparmo-nos com o uso do plástico… Perguntar de onde vem o marisco que comemos, exigir responsabilidade e transparência dos nossos governantes, dos nossos empresários, e a nós próprios… Penso que estamos no dealbar daquilo que a cidadania ativa pode conquistar.

E em Portugal?

Portugal é um país tão lindo, com tanto oceano e tão ligado ao oceano que há tanto que os portugueses podem fazer para liderar no mundo no que respeita à proteção dos oceanos, das áreas marinhas protegidas, da transparência e rastreio do abastecimento de cadeias alimentares com origem no mar, que devia ser obrigatório… gerindo os resíduos para que não acabem no mar…

Muitas nações europeias têm, desde há muito, uma abordagem exploradora do oceano: “Amamos e vamos ficar com ele, vamos comê-lo… é nosso”.

Mas quando se tem essa relação histórica com o oceano que dá forma à nossa cultura, gastronomia, tanta da nossa história… se conseguirmos transformar esse amor em gestão ambiental, conseguiremos dizer: “não quero consumir peixe proveniente de áreas protegidas que recorrem a escravatura. Quero ter a certeza de que vem de um local de abundância bem gerido”. Quero gerir o meu consumo de plástico e ter a certeza que estou a contribuir para um oceano mais limpo, onde os animais não estão a sufocar no meu lixo”.

Primeira vez em Cascais?

Sim. Acabo de chegar. O forte [de S. Julião da Barra] foi a primeira coisa que vi e é impressionante. E claro, vi as pessoas na praia, a tirar partido da água, das piscinas formadas pela maré e é um lugar ao qual espero definitivamente regressar com a minha família.

 

CMC/FH

 

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