CONTACTOS
Fale connosco
800 203 186
Em rede

mais pessoas

Carlos Neto
Carlos Neto “É preciso tirar as crianças do sof ...
Lourdes Faustino
Lourdes Faustino“Oito dias antes de ser reformada ...
Jaime Ferreira
Jaime Ferreira“O voluntariado é a minha namorada ...
Beatriz Guimarães
Beatriz Guimarães“O voluntariado foi a melhor coisa que ...
António Mendes
António Mendes“Sou voluntário porque me sinto útil ...

Está aqui

António Assunção

Palhaço Croquete - há 35 anos a distribuir sorrisos.

Portugal, 1978. Recuemos a uma época em que o panorama televisivo português era povoado por um só canal e em que os teatros se enchiam de gente. Um tempo de convulsões políticas em que ainda se sentia o último fôlego das ações revolucionárias.
Foi esse o tempo que viu nascer “Croquete e Batatinha”, a dupla de palhaços a quem coube a tarefa de fazer rir os portugueses numa época de desafios difíceis e mudanças bruscas.
Pode dizer-se que os dois homens eram bemsucedidos: nas coletividades, no teatro, na televisão, “Croquete e Batatinha” foram conquistando primeiro as crianças e depois os adultos. Primeiros as aldeias e depois o país. Para provar o que dizemos, deixamos-lhe as linhas que a revista Time Out dedica a António Assunção no seu último número: “Se não sabe quem é o Croquete, das três uma: ou é demasiado novo, ou é demasiado velho (e a sua memória já não é o que era) ou tem fobia de palhaços.
Seja qual for o caso, fique sabendo que nos anos 80 não havia miúdo nem graúdo que não conhecesse a mítica dupla "Croquete e Batatinha".

No ano em que comemora 35 anos de carreira, o “C” foi conhecer o homem calmo e sereno por de trás da maquilhagem e da vestimenta espalhafatosa:António Assunção.
“Amoreirense” convicto que reside na mesma casa que há 58 anos o viu nascer, (na Amoreira, claro) António viu-se obrigado a abandonar a Vila de Cascais com apenas sete anos, trocando a liberdade do Atlântico pela pacatez de uma aldeia em Ponte de Lima.
A adaptação foi difícil mas ao mesmo tempo essencial para aquela que viria a ser a sua formação enquanto homem mais humilde e tolerante: "No início foi difícil. Sonhava que era uma gaivota e que voava dali para fora. Mas, com o tempo, a experiência minhota foi fascinante porque as pessoas eram todas muito generosas.”

Num país à época fechado, taciturno e melancólico, o apelo pela profissão de palhaço surge após um trabalho de animação no Hotel Paris proposto por um amigo, o médico João Olias. “Aquela atuação era para durar 10 minutos
e acabou por ter cerca de 1 hora. Foi um sucesso. Naquele dia disse: Quero ser palhaço!” Nessa mesma ocasião, conheceu aquele que viria a ser o seu colega de carreira, António Branco ou “Batatinha”.
Durante anos, os dois galgaram milhares de quilómetros pelo país, produziram centenas de espetáculos e fizeram milhares de miúdos e graúdos rir. Mas ao mesmo tempo que “Croquete e Batatinha” se tornavam ícones da animação, as incompatibilidades acumulavam- se na mesma proporção do sucesso que os tinha levado a ter um programa próprio na RTP.
A dupla acabaria por separar-se mas o episódio não impediria António Assunção de prosseguir com a carreira, agora a solo, convicto de que era, no mundo do espetáculo, um tipo diferente de personagem: “Eu nunca fui artista na verdadeira aceção da palavra. Eu sou palhaço”, afirma em tom contundente. E que tipo de palhaço? Daqueles que sabe que as crianças podem, crescer e aprender através de brincadeiras e gargalhadas. Daqueles que evitam ser “palhaços fáceis”, que ligam ao tom mais depreciativo da palavra.

O Croquete é um criador de emoções mas isso coloca desafios com que só o António pode ultrapassar: “É difícil ser um gestor de emoções até porque também sofro. Há situações com crianças que me perturbam mas, por outro lado, enchem-me de alegria e provocam-me emoções extraordinárias.
O fascínio das crianças é o melhor “cachê” que se pode ter!” Mas a vida de Palhaço não é só gargalhada e Croquete relembra, com alguma tristeza, o momento mais difícil de superar até hoje durante uma atuação: “Quando fui pai pela primeira vez coincidiu com a primeira atuação no Instituto Português de Oncologia. Foi já há muitos anos. Era Carnaval e havia uma menina mascarada com um cabelo loiro comprido fascinante. Num percalço, a peruca caiu e entrei em choque quando percebi que a menina não tinha cabelo. Não me saia da cabeça a possibilidade daquela criança poder ser meu filho.”

Aos 58 anos, António Assunção conhece como poucos o território, as coletividades e as escolas do concelho a quem se dedicou quase em exclusivo - e não apenas como palhaço. Desenhador projetista, radialista, guionista, ator, repórter António Assunção é um comunicador mas, sobretudo, um homem apaixonado pela comunicação.

Hoje, e apesar nem lhe passar pela cabeça pendurar os sapatões do “Croquete”, Antonio lidera o projeto TV Portugal, uma ‘web tv’ local que leva notícias às pessoas através da Internet. Resumindo: “Tenho a felicidade de fazer o que gosto.”
De câmara ao ombro e tripé na mão, António Assunção tem um olhar privilegiado sobre Cascais. “Para mim, Cascais é um sítio único. Para mim, Cascais é o ar que eu respiro.” A Vila para António não tem segredos e o “Croquete” também não tem segredos para a Vila onde deseja que a vida, mesmo neste tempo difícil, seja levada com um sorriso nos lábios.

Cascais Digital

banner_cascais_0banner_cascaisambiente_0banner_cascaisparticipa_0banner_cascaisjovem_0banner_cascalitosbanner_lojacascaisccbanner_geocascaisbanner_agendacascaisbanner_fixcascais