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“Baía do Conhecimento”: A Nova centralidade que vai mudar Cascais

Criar uma nova centralidade do Conhecimento em Cascais, composta por uma nova Faculdade de Medicina, outra de Direito e uma escola de graduação em Saúde, para além de residências para estudantes e de um “Welcome and Learning Center” destinado a essa comunidade são os principais pilares do novo projeto “Baía do Conhecimento”. O pivô deste ambicioso programa que une o Conhecimento, a Inovação e a criação de uma nova centralidade é o Vice-Reitor da Universidade Nova, Professor José Ferreira Machado, que explica com paixão um sonho que se começa a realizar já em 2021, no espaço contiguo à Nova SBE, em Carcavelos.

Professor, o que vai ser, em concreto, o projeto da “Baía do Conhecimento”?

José Ferreira Machado A Baía do Conhecimento ou Baía da Inovação, como também gostamos de chamar, insere-se numa visão da Universidade Nova, de acordo com a qual o Conhecimento e a Economia do Conhecimento do século 21 é complementar com o desenvolvimento das cidades. É nas cidades e centros urbanos que as pessoas têm ocasião de se encontrar e estabelecer relações. Daí nós acreditarmos muito que o desenvolvimento do Conhecimento e a criação de espaços de centralidade são duas coisas que andam de mão em mão. É neste contexto que a Baía do Conhecimento de Carcavelos surge.

De que forma vai nascer esse projeto?

O projeto surge como uma nova centralidade que a Universidade Nova pretende desenvolver nos próximos dez anos. Trata-se de um projeto em que misturamos diferentes aspetos: instituições académicas, espaços de lazer, espaços residenciais, comerciais, pequenos bairros, centrados, no fundo, em torno do Conhecimento, não só abertos à comunidade, mas eles próprios tornando-se na própria comunidade.

Pode concretizar?

Estamos a pensar criar esse projeto no âmbito da Saúde e do Bem-Estar. Nós já temos a SBE e pretendemos levar para Carcavelos outras unidades orgânicas da Universidade Nova, designadamente a Faculdade de Direito, que ficará instalada a 200 metros a norte da SBE, na Bataria de São Gonçalo, e no outro extremo da praia, pretendemos criar um Campus de Saúde.

Este Campus de Saúde é ele próprio inovador, porque conjuga três elementos: uma faculdade de Medicina (a nossa Faculdade de Medicina que está atualmente no Campo de Santana), em conjunto com uma Escola de Enfermagem e uma escola dedicada à formação ao longo da vida na área da Saúde. Temos aqui algo que mistura a formação dos médicos integrada com a formação de outros profissionais de saúde e com o seu acompanhamento ao longo da sua vida ativa.

O projeto implica a criação de mais coisas?

O que nós pretendemos não é só criar instituições académicas. Pretendemos criar residências para estudantes, espaços desportivos e, junto à estação de comboios de Carcavelos, criar o que chamamos um “Welcome and Learning Center”, que será um centro aberto 24 horas por dia e 365 dias por ano a estudantes de toda a zona de Lisboa, de todos os graus de ensino, onde eles possam desenvolver os seus projetos, estudar, conviver, terem iniciativas de empreendedorismo, de namorarem também, e que vai ser uma peça central de todo o projeto.

Ao lado, desenvolveremos com a Câmara Municipal de Cascais uma grande Aula Magna. Estes são os aspetos mais icónicos da Baía do Conhecimento.

É importante não esquecer que para isto ter sucesso temos de ter cidade. Temos de ter habitação, residências, amenidades, atividades culturais, restaurantes e comércio, ou seja, tudo aquilo que caracteriza uma cidade.

O que atualmente ainda não existe...

Atualmente não há. Tudo isto para que as pessoas não queiram apenas estudar em Carcavelos. O que queremos é que as pessoas queiram estudar, viver e criar empresas e atividades económicas em Carcavelos.

No fundo, é esta a nossa ideia, mas centrada num tema: Sociedade, Saúde e Bem-Estar.

Já estão calculados os impactos económicos e sociais deste grande projeto?

Vai ter um grande impacto económico. Esses impactos são difíceis de estimar. O número que eu conheço e que foi calculado para a Inglaterra, sobre o efeito multiplicador destes investimentos na Educação, é de cerca de 4,5. Isto quer dizer que por cada mil euros investidos são gerados 4.500 euros de rendimento. Portanto, se pensarmos que vamos fazer um investimento na ordem dos 50 milhões de euros, isso significa que vamos gerar 350 milhões de euros por ano de retorno. Para já, é difícil de calcular, porque isso também depende da malha urbana que se vier a criar.

A experiência da SBE já dá algumas pistas?

A experiência da SBE já nos revelou que a Educação é uma indústria exportadora muito importante. É importante porque atrai estudantes de todo o mundo. Nesse sentido, é como o Turismo. O Ensino Superior tem um potencial enormíssimo como indústria exportadora, muito maior do que o vinho, cortiça ou sapatos.

Está a falar de que ordem de grandeza?

Estamos a falar de números da ordem dos mil milhões de euros, o que é muito significativo.

Esse impacto positivo pesou neste novo projeto?

Acho que é por estarmos conscientes disso que a Câmara Municipal de Cascais e outras autarquias são tão ativas na atração de instituições do Ensino Superior para os seus concelhos.

Qual é o investimento necessário para a implantação deste projeto?

Os nossos planos são fazermos também angariação de fundos para a construção do novo Campus da Saúde. Isto terá um investimento da ordem dos 40 milhões de euros. Penso que o resto poderá também ser essencialmente feito com donativos e com fundos próprios da Universidade. Mas há um esforço importante de angariação de fundos como o que foi feito para a SBE em que se angariaram cerca de 50 milhões de euros.

É possível replicar isso?

É possível porque os potenciais doadores não são os mesmos. É possível porque a área da saúde é uma área com impactos mais visíveis do que a área dos negócios e da economia. Quando falamos do cancro, dos desafios do coronavírus, dos desafios que são colocados à saúde privada e pública, dos desafios da globalização, não são assuntos que interessam apenas aos médicos, mas a toda a sociedade e de modo permanente.

A Nova SBE foi disruptiva...

A SBE mostrou que este espírito podia frutificar. Mostrou-nos que ter coragem, ter ousadia, visão, podia também conduzir a ter sucesso. E é um pouco este espírito de ousar, de olhar para a frente, de ousar construir um futuro que nós pretendemos replicar em todo o contexto da Baia do Conhecimento, mas também de outras centralidades da região de Lisboa.

A Nova quer ajudar a construir esta grande metrópole do século 21 em torno do Conhecimento.

Este projeto vai ser executado de uma só vez?

Não. Os principais investimentos deste projeto deverão ocorrer nos próximos cinco anos. Mas a criação de cidade é algo que acontece organicamente.

A esta distância é possível antever o impacto que estes projetos vão ter?

Acho que há alguns impactos antecipáveis, até mesmo em concelhos limítrofes. É necessário aumentar o alojamento dos estudantes. Isso é fundamental. Mas se os estudantes não ficarem lá, essa área não vai frutificar, já que parte do efeito positivo é a capacidade de fixação dessas pessoas. Isso envolve coisas que transcendem a própria universidade. A questão da mobilidade é muito importante. Esta Baía do Conhecimento estende-se por uma área considerável. Para haver uma malha fina é preciso que sejam desenvolvidas soluções de mobilidade. Isso está a ser encarado.

A cooperação com a Câmara de Cascais tem sido enormíssima e certamente serão desenvolvidas várias soluções de mobilidade. Há também muitos interessados em desenvolver soluções de habitação.

A conceção do que é um Campus universitário mudou muito?

Uma das coisas que evoluiu na conceção dos Campus universitários é que há uma década se pensava em Campus como ilhas isoladas, em que os académicos estavam virados para dentro. Isso é o típico Campus universitário de uma visão correspondente à “Universidade Torre de Marfim”. A Universidade que se quer hoje é aberta, sem paredes, permeável à comunidade.

Neste projeto vão surgir muitas oportunidades para novos negócios?

Este projeto vai gerar muitos negócios e criação de startups. Sejam negócios criados pelos próprios estudantes ou professores, seja toda uma gama de serviços de apoio. Gosto muito da expressão inglesa “Innovation District”, que traduzido seria Bairro da Inovação.

O que gosto mesmo é da palavra “Bairro”, porque sou de um tempo em que bairro significava comércio, significava pessoas de diferentes extratos e níveis sociais que cruzavam as ruas. E é toda esta diversidade que é preciso recriar em torno das universidades, porque, de contrário, estes projetos não produzem todos os efeitos que prometem. Sérgio Soares.

 

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