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Sególène Royal: "A questão climática deverá continuar a ser prioritária"

Foi a primeira francesa a disputar a segunda volta das eleições presidenciais em França. Acabou derrotada em 2007 pelo conservador Nicolas Sarkozy. Há poucas semanas, no âmbito da conferência “The Future of Politics”, Ségolène Royal esteve em Cascais para falar sobre o impacto das alterações climáticas na política contemporânea e deixou a sua expectativa para a Cop 26 – a Cimeira do Clima a decorrer em Glasgow.

Quais serão as grandes questões para o debate mundial e como podemos reconquistar a confiança nos políticos?

A grande questão é a saída da crise Covid-19. Todo o mundo foi amplamente perturbado pela Covid-19 e o risco é que a questão climática seja remetida para segundo plano. A questão climática deverá continuar a ser prioritária, apesar da crise sanitária. É esse o grande risco. Não podemos esquecer a crise climática e pensar só no resto. Devemos pensar que tudo está interligado. Que no aquecimento global continuam a existir doenças, vírus, o ébola, … todas essas doenças. Portanto é fundamental que a questão climática continue a ser prioritária [cortar?] O perigo é que seja relegada para segundo plano atrás da saúde… estão ligadas. Há mais mortes devido ao aquecimento global que devido à Covid-19 e não se fala nisso

A Covid-19 mudou a vontade política nas negociações para o clima?

Sim. Mudou. Sente-se. Há mais crianças a morrer por falta de acesso a água potável que de Covid-19, muitas mais. E a falta de acesso à água potável é de igual modo um problema de saúde, tal como a malnutrição…alimentação… são todos problemas de doença e saúde. A questão da saúde é central na questão climática.

No cenário político mundial, podem os resultados eleitorais, por exemplo em França, alterar a forma como os políticos vêm o mundo?

Penso que o que vai mudar será sobretudo nos Estados Unidos. Depois da saída de Donald Trump do acordo de Paris, Joe Bayden vai regressar e isso são boas notícias. Espero que na COP 26 Joe Bayden venha e dê um forte impulso ao plano americano para as questões climáticas. Há uma vontade muito importante nas áreas das energias renováveis, transição energética e ecologia. É preciso que a Europa seja mais determinada, mais forte nesta transição ecológica.

Primeira vez em Cascais?

Não, já aqui estive há alguns anos atrás. 

O que pensa deste pequeno canto do mundo?

É magnífico… dizia agora ao presidente da Câmara porque é que não têm táxis marítimos? Representam menos trânsito e menos poluição… Ao que ele me respondeu que é complicado porque no mar há a questão das correntes, das ondas… que é complicado, mas que estão a refletir sobre a criação de transportes dedicados ao longo da costa com viaturas elétricas, automáticas. Em Cascais temos em curso vários projetos relacionados com veículos elétricos, hidrogénio verde… É bom. É uma vitrine. É preciso estar à frente do nosso tempo.

FH/CMC

 

Cascais Digital

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