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Para se ser um país mais coeso é necessário dar voz

A última manhã do Seminário Coesão Social Uma responsabilidade partilha foi marcada por quatro sessões paralelas que decorreram em simultâneo sempre com lotação esgotada. Os moderadores das sessões partilharam depois, com todos os participantes, as principais conclusões.

Moderadora da sessão “Inclusão, Deficiência e Saúde Mental”, Laurinda Alves ficou especialmente marcada pela declaração de um dos participantes (Ismeba) que partilhou com os presentes: “trabalhar foi uma revolução na mina vida”. “Somos nós que podemos fazer a revolução na vida dos outros e na nossa vida”, destacou Laurinda Alves. Pegando nos dados revelados pelo Diagnóstico Social de Cascais analisados no âmbito da sessão que moderou, Laurinda Alves acrescentou: “a acessibilidade tem de ser uma realidade sob pena de ditarmos a morte social. É preciso clarificar a mensagem. Há pessoas que ficam de fora porque não percebem o que lhes é dito. É uma forma de exclusão muito grave. Todos não somos demais”.

Ana Fernandes moderou a sessão “Cada vez vivemos mais e então?” e partilhou com a audiência as principais reflexões do grupo, particularmente ao nível das políticas sociais: “as pessoas estão a envelhecer e têm baixos recursos. Temos de ser cautelosos para unir gerações evitando estereótipos”. A coesão nesta vertente implica mobilidade pelo que o grupo se questionou sobre a quem compete intervir. Dada a temática do envelhecimento, o grupo levantou a questão dos cuidadores informais: “é necessário adequar pelo menos a legislação laboral”. Noutra perspetiva, a da solidão, foi igualmente abordada, com os participantes na sessão paralela a deixar claro que “é necessário clarificar qual o papel do cidadão e do Estado e, acima de tudo, modificar as atitudes segregacionistas”.

Encarregue de moderar o painel dedicado à “Diversidade Cultural”, André Carmo partilhou em auditório três desafios e duas pistas lançados na sessão. “Há que ter atenção a três situações: - o aspeto discursivo, léxico e semântico, tendo em atenção a escolha das palavras usadas para traduzir os problemas, porque não escolher abordar as vantagens da diversidade cultural? - O aspeto relacional, pois não se pode viver sem conviver. É importante aprender a viver em conjunto, indo além da tolerância e afirmando o respeito pelo outro; - o aspeto pós—colonial, enquanto não se fizer uma verdadeira reflexão sobre o nosso passado ele volta sempre para distorcer a nossa visão e a desigualdade persiste. As questões lançadas na sessão foram: “Qual o papel da Educação? E Como construir uma cidadania municipal?” No primeiro caso destacou-se que “Ninguém nasce a odiar o outro. Compete aos contextos educativos formais não limitar o direito das crianças, devemos chamar as escolas a combater o racismo, praticar, mais do que pregar a interculturalidade. “ No segundo caso a proposta foi para se “construir uma comunidade de pertença do cidadãos e de combater a divisão espacial em vez de fomentar ghettos”.

Em nome de David Rodrigues, moderador da sessão Infância e Juventude, Ana Ramalheira revelou que “com a sua dinâmica, David Rodrigues ajudou a criar um ambiente verdadeiramente democrático na sessão”. O debate fez-se em torno de uma grande questão: “como contribuir para a coesão social nas escolas?” As respostas giraram em torno da maior humanização, criação de vínculos, conhecendo e respeitando alunos e famílias, deixando as metas para segundo plano. De acordo com os participantes nesta sessão paralela, “coesão social é coerência, cooperação, conhecimento e compreensão”. Partindo da Educação enquanto principal alavanca dos diretos humanos, em especial do direto a pertencer e a participar, o grupo destacou a necessidade aproximar a sociedade das escolas, de criar programas para ajudar os jovens. Em resumo para ser um país mais coeso, é necessário dar voz, ouvir, envolver, adotar políticas transversais, mudar o sistema de ensino, investir desde o berço, cuidar da saúde mental, em suma, ter uma visão holística que, nas palavras de David Rodrigues se resumirá assim: “a responsabilização deve ser tomada às colheres desde pequenino como o óleo de fígado de bacalhau”.

Ouvido de passagem:

INCLUSÃO E DEFICIÊNCIA/DOENÇA MENTAL

“Cascais tem uma divisão de emprego inclusiva. Recebe toda a gente”, Lúcia Canha, Faculdade de Motricidade Humana

DIVERSIDADE CULTURAL

“Uma cidade intercultural não parte para o debate começando pelos problemas interculturais. Não nego que existam problemas, mas somos mais enquanto indivíduos e enquanto sociedade do que a soma dos nossos problemas”, Phill Wood.

“Cascais é de louvar por levar a cabo uma abordagem analítica como o Diagnóstico Social. É uma forma de identificar patologias e de investir o tempo a procurar solucioná-las”, Phill Wood

INFÂNCIA E JUVENTUDE

“A escola é um contexto universal que chega a todos. Por isso, é o local ideal para promover o diálogo sobre as questões da Saúde mental.” Paula Vilariça, pedopsiquiatra, CadIn

“Somos todos agentes de Saúde Mental. A Saúde mental é muito socialmente determinável”, Paula Vilariça, CadIn

“Falamos em inclusão nas escolas, mas depois há a perversão das metas, das notas…Enquanto não se encara isto como um mal da coesão é difícil as escolas fazerem o seu papel”, Adelino Calado, diretor Agrupamento de Escolas de Carcavelos.

“Qualquer dia vou ter de abrir uma consulta para os alunos do 11.º ano”, Paula Vilariça, pedopsiquiatra, CadIn

CADA VEZ VIVEMOS MAIS. E ENTÃO?

“Aumentar a participação favorece a inclusão, mas por outro lado assistimos a programas estruturados que embora favoreçam a participação, são segregacionistas e escorregam na infantilização”, Maria João Barros, ISCSP

“Já assistimos a programas “age friendly”, ou seja, mais transversais”, Maria João Barros, ISCSP

“A facilitação é a palavra-chave. Se for mais fácil ter comportamentos saudáveis, mais facilmente as pessoas os adquirem, Maria João Barros, ISCSP

Para as pessoas viverem mais tempo nas suas casas é preciso que estas sejam adaptadas às novas exigências ditadas pelo envelhecimento”, Maria João Barros, ISCSP.

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