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Património Cultural Imaterial em debate em Cascais | 3 de novembro | Casa das Histórias Paula Rego

Ampliar e incentivar o conhecimento e valorização do Património Cultural e Imaterial é um dos objetivos da Associação Portuguesa para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial que organiza o seu primeiro seminário, dia 3 de novembro, no Auditório da Casa das Histórias Paula Rego, em Cascais. Pelo seu papel ativo no estudo e divulgação deste património, Cascais foi o anfitrião escolhido pela associação para realizar esta primeira sessão de reflexão e debate que conta com a presença dos principais intervenientes no estudo e divulgação do Património Cultural Imaterial em Portugal.

Com um programa ambicioso, este primeiro seminário, que conta com o apoio da Câmara Municipal de Cascais e da Fundação D. Luís I, terá um painel de oradores integralmente constituído por elementos fundadores da associação, cujas intervenções irão abranger os principais intervenientes no estudo e divulgação do Património Cultural Imaterial (PCI) em Portugal, desde o Estado e autarquias, às associações, cidadãos, museus e universidades. Em análise estarão os mais diversos temas que encontram lugar no universo do PCI, designadamente História, História da Arte, Arqueologia, Arquitetura Popular, Folclore e Folclorização, Museologia, Língua Mirandesa, Teatralidades e outras Performances Tradicionais, Etnolinguística, Religião Popular, Medicina Popular e Cautelas Supersticiosas, Gastronomia e Edição.

Entre os oradores participantes contam-se nomes de referência dos meios académico e cultural português, como João David Pinto Correia, Diretor do Centro de Tradições Populares Portuguesas/Universidade Clássica Lisboa, Luís Raposo, Presidente ICOM – Secção Portuguesa do Conselho Internacional de Museus, Vítor Serrão, Diretor do Instituto de História da Arte da Faculdade Letras da Universidade Lisboa, ou Moisés Espírito Santo, Etnólogo/filólogo, Professor Catedrático Universidade Nova Lisboa.


Programa


9h45 | Recepção aos participantes
10h15 | Abertura com intervenções do Presidente da Câmara Municipal de Cascais, Carlos Carreiras e do Presidente da Associação Portuguesa para a Salvaguarda Património Cultural Imaterial, Luís Marques
10h30 | Início dos trabalhos


Painel I – O Estado, as Autarquias, as Associações e os Indivíduos e o seu papel na defesa e valorização do Património Cultural Imaterial (PCI)
Moderador: Luís Reis, Jurista, Co-Redactor dos Estatutos da Associação Portuguesa para a Salvaguarda do PCI


10h30 | Estado (Representante Comissão de Cultura da Assembleia República), Autarquias (Eugénia Correia, Vereadora da Cultura)
10h45 |Debate
11h15 | Intervalo
11h30 | Associações (Jorge Miranda, Antropólogo, Fundador da Etnoideia); Indivíduos (Alberto Correia, Antropólogo, ex-Director do Museu Grão-Vasco, Investigador da Cultura Imaterial)
11h45 | Debate


Painel II – Os Museus e as Universidades e o seu contributo para a promoção do PCI
Moderador: António Vermelho Corral, Director Secção de Antropologia da Sociedade de Geografia de Lisboa


12h15 | Museus (Luís Raposo, Presidente Comissão Nacional Portuguesa do ICOM – Conselho Internacional dos Museus); Universidades (Susana Sardo, Universidade Aveiro/Coordenadora do Pólo do Instituto de Etnomusicologia – Centro de Estudos em Música e Dança)
12h30 | Debate
13h15 | Almoço oferecido pela Fundação D. Luís I


Painel III – Cultura e Sociedade
Moderador: Luís Marques, Antropólogo, Director Curso Pós-graduação em Património Cultural Imaterial, Presidente da Associação Portuguesa para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial


14h15 | História da Arte (Vítor Serrão, Director do Instituto História da Arte, Faculdade Letras da Universidade Lisboa); História (José Manuel Garcia, Historiador, GEO – Gabinete Estudos Olisiponenses); Arqueologia (João Luís Cardoso, Professor Catedrático da Universidade Aberta); Museologia (David Teixeira, Director Ecomuseu do Barroso)
15h00 | Debate
15h30 | Folclore e Folclorização (Carla Almeida, Antropóloga, Universidade Algarve); Medicina Popular e Cautelas Supersticiosas (Padre Lourenço Fontes, etnógrafo, criador do Congresso Medicina Popular – Vilar Perdizes); Teatralidades e outras Performances Tradicionais (Paulo Raposo, Antropólogo, Professor Auxiliar, ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa); Etnolinguística (Maria Micaela Soares, Arquivo Oral Estremenho – A «Fala Popular», Directora Boletim Cultural Assembleia Distrital Lisboa)
16h30 | Intervalo
16h45 | Religião Popular (Moisés Espírito Santo, Etnólogo/filólogo, Professor Catedrático Universidade Nova Lisboa); Língua Mirandesa (Amadeu Ferreira, Presidente da Associação Língua Mirandesa); Arquitectura Popular (Marta Santos, Arquitecta, Centro de Estudos de Arquitectura, Urbanismo e Design da Faculdade de Arquitectura da Universidade Técnica de Lisboa); Edição (Fernando Mão de Ferro, Editor Livros de Temática Cultural Imaterial); Gastronomia (José Bento dos Santos, Presidente da Academia Portuguesa Gastronomia)
17h30 | Debate
18h00 | Encerramento dos trabalhos


Nota: todos os Intervenientes – com excepção do representante da Comissão de Cultura da Assembleia da República – são membros fundadores da Associação Portuguesa para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial 


Sobre a Associação Portuguesa para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial | Apresentada a 28 de julho, é dirigida pelo antropólogo e investigador Luís Marques e foi criada com o intuito de ampliar e incentivar o conhecimento e valorização do PCI. Fazem parte dos seus objetivos incentivar a realização de programas, projetos e atividades de salvaguarda do PCI, desenvolver relações e acordos com instituições congéneres e agentes nacionais e internacionais, difundir o conceito de Património Cultural (enquanto realidade material e imaterial), bem como a interligação frequente entre os patrimónios Material, Imaterial e Natural.
 


Cascais na linha da frente da salvaguarda do Património Cultural Imaterial
Detentor de espólios de grande relevo para a salvaguarda do património musical português, com especial realce para as recolhas etnográficas do etnólogo Michel Giacometti e para o catálogo do compositor Fernando Lopes-Graça, ambos depositados no Museu da Música Portuguesa – Casa Verdades de Faria, o Município de Cascais tem apostado no estudo e divulgação destes acervos, nomeadamente através da realização de protocolos com universidades e institutos.

Recentemente, e no âmbito de um protocolo com o Instituto de Estudos de Literatura Tradicional da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, da Universidade Nova de Lisboa, foram editadas duas importantes obras compiladas a partir do espólio de Giacometti: “Artes de Cura e Espanta Males. Espólio de Medicina Popular recolhido por Michel Giacometti” e “Romanceiro da Tradição Oral”. De igual modo, e prosseguindo a sua missão de divulgação da obra de Fernando Lopes-Graça, a Câmara Municipal de Cascais tem apoiado diversas edições discográficas, de que são exemplos recentes, o disco da Royal Scottish National Orchestra que, sob a direção do maestro português Álvaro Cassuto, gravou com a chancela da etiqueta NAXOS quatro obras de Lopes-Graça, bem como um CD e partituras de 23 peças para piano coligidas sob a denominação de “Músicas Festivas”, que será lançado em dezembro.

O acervo documental do Museu da Música Portuguesa constituiu também uma importante fonte documental para a preparação da bem-sucedida candidatura do Fado a Património Mundial, assim como da futura candidatura do Cante Alentejano a apresentar com o mesmo fim.

A memória rural, as tradições da pesca, as festas e cultos religiosos no concelho têm igualmente merecido a atenção da Câmara Municipal de Cascais através da edição ou apoio a obras que se dedicam ao estudo destes temas. 

A salvaguarda da memória local tem também passado em grande medida pela ação levada a cabo pelo Arquivo Histórico Municipal de Cascais, sobretudo com o Programa de Recuperação de Arquivos de Interesse Municipal, no âmbito do qual tem sido possível preservar e disponibilizar ao público, em condições adequadas, acervos de entidades que aderiram ao programa. A documentação aí depositada tem servido de fonte documental essencial para o desenvolvimento de estudos sobre a história e património da região.

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