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Património Arqueológico | Povoado pré-histórico da Parede

O sítio arqueológico da Parede foi identificado a 16 de setembro de 1953, por Eduardo da Cunha Serrão e por Eduardo Prescott Vicente, numa área em construção a leste da “Parede Velha”, correspondendo, em parte, à atual zona de vivendas do bairro Octaviano Augusto e da Escola Básica nº 2.
O povoado pré-histórico, ocupado entre finais do 4º milénio e a segunda metade do 3º milénio a. C., foi implantado numa encosta de suave declive, a menos de 1 quilómetro da atual linha de costa. Hoje em dia essa situação é pouco percetível, tendo em conta a densa malha urbana que foi crescendo nesta zona e as consideráveis alterações na paisagem daí decorrentes.
Os primeiros materiais arqueológicos foram recolhidos nas terras retiradas dos buracos feitos para a colocação de postes de iluminação e nos taludes das valas abertas para os arruamentos e habitações. Apesar dos trabalhos de construção do bairro se encontrarem nessa altura ainda em fase inicial, já tinham destruídos em grande parte os níveis arqueológicos, permanecendo intacto apenas um terreno onde estava prevista a edificação da atual Escola Básica nº 2 da Parede.
Será precisamente nesse terreno que terão lugar as campanhas de escavação de 1955, 1956 e 1957, dirigidas por Eduardo da Cunha Serrão, Eduardo Prescott Vicente e pelo Tenente-Coronel Afonso do Paço. Durante as intervenções de 1956 e 1957 foi utilizado um novo método de escavação (inovador para a época), o grid method, que consistia na criação no terreno de um sistema baseado em quadrículas, com banquettes a separar os vários quadrados, que tinha como objetivo facilitar o registo estratigráfico de artefactos e eventuais estruturas.
As recolhas efetuadas durante as intervenções arqueológicas permitem atribuir a principal ocupação deste povoado ao Neolítico Final e Calcolítico. Trata-se sobretudo de fragmentos de cerâmica com e sem decoração, recipientes com bordos denteados, artefactos de sílex e de pedra polida, instrumentos de osso e restos de fauna. Estes últimos demonstram que os habitantes deste povoado tinham nos recursos aquáticos uma componente importante da alimentação, tendo-se registado a existência de conchas de moluscos (sobretudo lapa, mexilhão e burrié), certamente recolhidos nas praias próximas. Numa evidente articulação entre os recursos marinhos e os terrestres, recorriam também à caça e à domesticação de animais, tendo sido identificada a presença de restos de bovídeos, javali, cervídeos, ovicaprinos, lobo, raposa, coelho bravo e texugo.
O aproveitamento das áreas mais interiores, em direção à Serra de Sintra, aliado à proximidade ao mar e a algumas linhas de água, possibilitaria assim a exploração de vários nichos ecológicos, o que evidencia uma clara estratégia de implantação do povoado pré-histórico neste local.

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