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Património Arqueológico | Villa romana de Casais Velhos

Casais Velhos é um sítio arqueológico ocupado durante uma longa diacronia, tendo ali sido implantada uma villa durante o período romano. Situa-se atualmente na Rua de S. Rafael, a norte da povoação da Areia e encontra-se classificado como Imóvel de Interesse Público pelo Decreto n.º 29/84, de 25 de junho.
Foi objeto de escavações arqueológicas em 1945, da responsabilidade de Afonso do Paço e Fausto de Figueiredo. Já nos finais da década de 60 e inícios da de 70 do século XX Octávio da Veiga Ferreira e António de Castelo Branco continuaram os trabalhos de escavação e realizaram campanhas de limpeza e consolidação.
O que atualmente se observa no local são um conjunto de estruturas tardo-antigas (séculos III/VI), com destaque naturalmente, pelas dimensões, para o edifício termal, composto do frigidarium, de uma sala tépida de transição (tepidarium) e do praefurnium, destinado ao aquecimento do ar que circulava sob o pavimento e da própria água dos tanques, de configuração semicircular. Nas proximidades foi identificado um tanque de grandes dimensões, possivelmente o natatio, que era abastecido pelo aqueduto a partir de uma nascente.
Das estruturas que originalmente constituíam a pars rustica foi possível identificar dois compartimentos, um dos quais com duas pequenas tinas revestidas a opus signinum e com encaixe para tampa hermética. Estes recipientes aliados ao achamento de conchas de búzio (murex) levou alguns especialistas a considerarem a hipótese de os habitantes desta villa se dedicarem à indústria da tinturaria de tecidos e ou curtumes.
Foram ainda identificadas outras estruturas, uma das quais associada a um lagar, com o respetivo tanque de decantação e o peso de lagar em pedra local e dois silos tapados com lajes circulares e escavados na própria rocha.
Registaram-se, ainda, diversas sepulturas de inumação pertencentes a três áreas de necrópoles às quais se encontram associados os principais achados, nomeadamente uma moeda ilegível, envolta em pano de linho, uma agulha em bronze, um aplique de forma zoomórfica em bronze, uma lucerna, datável do século III ou IV e várias moedas atribuídas aos imperadores Flávio Júlio Constâncio II (317-361), Constante (?-350), Teodósio I, o Grande (c. 346-395), Constantino I, o Magno (c. 271- 337) e Arcádio (c. 377-408), a sugerirem uma ocupação já no final do Império Romano do Ocidente.
 

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