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Património Arqueológico | Villa Romana de Freiria

O sítio implanta-se numa das encostas do vale, entre o Outeiro e Polima (S. Domingos de Rana), junto de uma pequena linha de água, subsidiária da Ribeira da Lage, numa área de abundantes recursos hídricos e de elevado potencial agrícola.
A primeira ocupação humana do local remonta à pré-história (Neolítico-Calcolítico), merecendo referência, entre outros materiais coetâneos, as cerâmicas com decoração campaniforme. Após este primeiro momento, encontram-se testemunhos de outras ocupações até à Idade Moderna. A informação presentemente disponível não é ainda suficiente para saber se a ocupação ao longo desta vasta diacronia se fez em continuidade ou se apenas aconteceu em momentos específicos. No entanto, o período mais bem caracterizado corresponde, sem dúvida, à época romana.
Identificado por Vergílio Correia em 1912, os primeiros trabalhos arqueológicos no local só foram realizados em 1985, pelos arqueólogos Guilherme Cardoso e José d’Encarnação. Durante várias campanhas arqueológicas identificaram a pars urbana de uma villa de peristilo, na qual se conservam alguns compartimentos pavimentados com mosaico policromo. À pars urbana encontrava-se associado um complexo termal, com três zonas de temperaturas distintas (frigidarium, tepidarium e caldarium). Um outro edifício com idênticas funções, mas maior, foi encontrado a sul da villa e, embora nunca concluído, foi posteriormente reconvertido em instalações industriais. 
Quanto ao espaço ligado à produção agrícola (pars fructuaria), é caracterizado por duas grandes estruturas: o celeiro, situado a norte das segundas termas, e o lagar, possivelmente de azeite, a nascente da casa senhorial. Identificaram-se também construções da pars rústica, possivelmente destinadas à habitação dos trabalhadores da villa.
Na margem oposta da ribeira, a sudeste, foi identificada a área de necrópole com sepulturas de cremação, correspondentes à primeira fase de ocupação romana do local, e de inumação, já em época tardia. Verificou-se ainda a existência de enterramentos de indivíduos não adultos, na área edificada da villa, nomeadamente na zona do lagar, após o seu abandono.
O vasto espólio arqueológico recolhido tem permitido aos arqueólogos responsáveis desenvolver diversos trabalhos científicos, apresentados em publicações nacionais e internacionais, no âmbito da epigrafia, cerâmica, economia, produção vinícola/oleagínea, arquitetura, museologia, etc.
Do espólio mais significativo destaca-se a ara ou altar dedicado à divindade Triborunnis, um quadrante de relógio de sol, uma carranca de felino, capitéis toscanos e corintizantes e estatuetas de terracota.
O sítio encontra-se classificado como Imóvel de Interesse Público pelo Decreto n.º 29/90 de 17 de julho.
 

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