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Património Arqueológico | Ruínas do antigo Posto de Turismo de Cascais

As ruínas que podem ser vistas no interior das instalações do antigo Posto de Turismo de Cascais, na Rua Regimento 19 de Infantaria, foram descobertas em 1988, durante a investigação arqueológica que precedeu os trabalhos de remodelação do antigo edifício da Sociedade Musical de Cascais. Esta intervenção integrava-se num projeto mais amplo que preconizava caraterizar e datar a evolução da malha urbana da vila.
No interior do espaço musealizado podemos ver parte da estrutura base do nível térreo de uma habitação de finais do século XVI, reforçada no lado nascente, o que tornou possível a construção deste edifício na margem da Ribeira das Vinhas.
Entre os achados destacam-se fragmentos de faiança espanhola, italiana e portuguesa, que foram encontrados com porcelanas chinesas da dinastia Ming (período Wanli 1572-1620). Quanto aos objetos metálicos, o principal destaque vai para um fecho de roupa em bronze, banhado a ouro, que conservava parte do tecido onde estava aplicado e algumas moedas de cobre de D. Sebastião (1557-1578).
A área escavada revelou uma porta com dois degraus, à qual estava associado um lintel de calcário chanfrado, que daria acesso à margem da ribeira. Um dos degraus apresentava lateralmente duas perfurações, onde se implantava uma porta que deveria abrir de par em par. Posteriormente, este vão foi nivelado e os degraus cobertos por um pavimento de cal e areia, ainda visível em alguns locais. O extenso pavimentado de tijoleira, contíguo à parede norte, abrange uma ampla zona que se desenvolve ao longo de uma parede divisória.
Quando esta habitação foi erigida, Cascais já detinha o estatuto de vila há mais de duzentos anos e o burgo desenvolvia-se para norte, devido ao crescimento da população, ligada à pesca e, em particular, às atividades militares, que aumentaram a partir da construção, em 1488, da Torre de Cascais, estrutura de elevada importância estratégica na defesa marítima da capital.
Do século XVI em diante, o crescimento urbano da vila foi quase inexistente, sendo de notar que após a vasta destruição causada pelo terramoto de 1755, a reconstrução seria muitíssimo lenta. Esta casa não foi, assim, reconstruída de acordo com o plano original, tendo a estrutura sido, antes, alargada para o atual edifício, mantendo as paredes sul e oeste. O pavimento foi, então, elevado e coberto com lajes calcárias, das quais resta um testemunho.

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